Copa de 2014 deve consolidar consumo de orgânicos

Proposta da "Copa Verde" abre oportunidades para produtores de orgânicos

Tania Rabello, O Estado de S. Paulo

07 Abril 2010 | 00h05

A Copa do Mundo de 2014 estimulará vários setores de economia, entre eles o de agricultura orgânica. Com a proposta do governo federal de fazer uma Copa “verde”, os agricultores orgânicos terão uma excelente oportunidade para organizar e ampliar a produção, já sob a égide da legislação recentemente aprovada para o setor no País.

Segundo o gerente do projeto Organics Brasil, Ming Liu, após a regulamentação completa da Lei dos Orgânicos (número 10.831, aprovada em 23/12/2003 e regulamentada por meio do Decreto 6.323, de 27/12/2007), “que tem de sair até o fim do ano”, ficará mais fácil montar as bases para uma produção orgânica totalmente certificada no País, capaz, inclusive, atender à demanda extra gerada pela Copa do Mundo.

 

Oportunidade

 

“Este evento é uma oportunidade para criarmos um sólido potencial de demanda para os orgânicos no País”, diz Ming Liu. “Se durante a Copa cada restaurante das cidades-sede incluir um item orgânico em seu cardápio isso já significará um grande crescimento”, continua. “Importante é, após a Copa, manter o hábito de consumo orgânico.”

Conforme relata Ming Liu, inicialmente o Projeto Organics Brasil (que já conta com 50 associados produtores de orgânicos, voltados essencialmente à exportação), em parceria com o portal Planeta Orgânico (responsável por trazer para o Brasil a Biofach), vai fazer um mapeamento tanto da cadeia produtiva quanto da estrutura de hotéis e restaurantes das cidades-sede que poderão incluir orgânicos em seus cardápios.

“Temos quatro anos para isso. Assim que a regulamentação completa da lei sair, vamos investir nesse mapeamento”, diz Ming Liu.

Brasília

 

No dia 9 de abril, o Organics Brasil e o Planeta Orgânico estarão em Brasília (DF) para apresentar um programa de ação ao governo federal, sobre como será feito este mapeamento e as possibilidades de incluir alimentos orgânicos no cardápio da Copa do Mundo.

Neste programa, relata Ming Liu, será eleita uma cidade-piloto (provavelmente Curitiba), na qual será testada a estratégia tanto de abastecimento quanto de capacitação de mão de obra, além de volume necessário de produção para atender à demanda da Copa e possíveis parceiros, como hotéis, restaurantes e instituições. “São Paulo, pelo potencial de demanda, também deverá entrar nesses testes”, acredita Ming Liu.

 

Cultivo

 

O Brasil possui hoje 6,5 milhões de hectares cultivados com orgânicos. Na Austrália, maior produtora, a área cultivada é de 11,3 milhões de hectares. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior, de agosto de 2006 a janeiro de 2007, o País exportou 9.500 toneladas de orgânicos, volume que corresponde a US$ 5,5 milhões. Mas as exportações brasileiras podem representar mais que o dobro destes valores.

 

Segundo a Associação dos Produtores e Processadores de Orgânicos do Brasil (BrasilBio), muitas empresas exportam produtos orgânicos que saem do País como convencionais, por isso é preciso, ainda, garantir o reconhecimento internacional.

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