COP entra na semana decisiva com todas as discussões travadas

A fase decisiva da Conferência do Clima da ONU, que ocorre em Varsóvia, na Polônia, começou ontem com os principais temas que têm de ser resolvidos praticamente travados, o que começa a trazer preocupação sobre o sucesso do acordo climático global de 2015.

Giovana Girardi - Enviada especial a Varsóvia, O Estado de S. Paulo

19 Novembro 2013 | 21h28

No jargão diplomático, essa é uma reunião intermediária, de processos. Ela não tem, portanto, um documento final a entregar, mas precisa desenvolver o caminho para que daqui a dois anos, em Paris, na França, se feche um acordo de redução das emissões de gases de efeito estufa que seja válido para todos os países e entre em vigor em 2020. Esse caminho ainda está nebuloso.

Varsóvia também precisaria avançar em temas como finanças. Em reuniões passadas se definiu que a partir de 2020 haveria um fundo disponível com US$ 100 bilhões por ano para ajudar países em desenvolvimento a lidar com as mudanças climáticas. Em nove dias de conferência as discussões não avançaram a fim de mostrar como se vai chegar a essa quantia daqui a sete anos.

Ontem, a União Europeia deu uma indicação que poderia ser um bom sinal, de que 20% do orçamento de 2014 a 2020 será para ações climáticas, mas organizações não-governamentais que acompanham o bloco disseram não ter certeza se trata-se de novos investimentos ou coisas que já estavam previstas.

Na capital polonesa, haveria ainda que se criar confiança entre as partes, mas a velha polarização entre países desenvolvidos e em desenvolvimento está mais acirrada do que nunca. Um dos símbolos desse impasse é a proposta do Brasil para que se crie uma metodologia de medir a responsabilidade histórica de cada país na elevação da temperatura do planeta - o que serviria como referência para o acordo de 2015 - e que teve sua discussão bloqueada pelas nações mais ricas.

Na abertura do alto segmento, em que os ministros dos países assumem as discussões, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, esteve presente e pediu aos países que levem suas propostas à cúpula climática que ele convocou para setembro do ano que vem, em Nova York, nos Estados Unidos. 

Ele pediu especialmente aos países do G-20 e membros da OCDE que mostrem liderança. Isso facilitaria para que a COP que vem, em Lima (Peru), fosse concluída com uma proposta de rascunho do documento de 2015. "Eu estou apelando: tomem uma ação urgente", disse. O negociador-chefe dos EUA, Todd Stern, já disse na segunda, no entanto, que espera apresentar essa proposta só no primeiro semestre de 2015.

Com tudo travado, porém, aumenta o risco de ficar tudo para a última hora, e com isso menores passam a ser as chances de o acordo ser ambicioso no nível necessário para manter o aumento da temperatura a menos de 2ºC.

Fica um temor de se repetir a COP de Copenhague, em 2009, que tinha uma enorme expectativa de resultar num novo acordo e atraiu líderes de Estado, como o então presidente Lula. Mas ficou tanta coisa para os presidentes decidirem que a conferência naufragou.

"Eu espero que a conferência nos distancie de Copenhague e cheguemos a Lima mais perto do acordo", disse a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira.

A repórter está na conferência a convite da Convenção do Clima da ONU (UNFCCC)

Mais conteúdo sobre:
COPVarsóviatemperaturaclima

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.