GABRIELA BILO / ESTADAO
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COP é evento-chave para o mundo e oportunidade para o Brasil, diz embaixadora da Suécia

Johanna Skoog destacou empenho dos britânicos em obter resultado no encontro que ocorre a partir do próximo domingo. Missão é encontrar consenso para regras de mercado de carbono

Célia Froufe, O Estado de S.Paulo

28 de outubro de 2021 | 16h02

A Conferência do Clima promovida pelas Nações Unidas a partir de domingo na Escócia é um encontro-chave para o mundo e uma oportunidade de o Brasil se firmar como um interlocutor de peso em relação ao meio ambiente. A avaliação foi feita ao Broadcast/Estadão pela embaixadora da Suécia em Brasília, Johanna Skoog. “Os britânicos estão muito empenhados nisso. Eles querem realmente um resultado”, analisou.

O encontro de Glasgow tem como principal missão encontrar um consenso entre os 194 países para criar as regras básicas de formação de um mercado de carbono mandatório e global. Na edição anterior, realizada em Madri, o objetivo fracassou e muitos culpam o Brasil como um dos responsáveis por não ter avanço nessa área.

“Para o mundo, é um encontro chave. É muito importante que todos avancem”, considerou, citando vários exemplos de desastres naturais recentes em várias partes do mundo que não eram vistos há apenas poucos anos. “Precisamos fazer alguma coisa, pegar essa responsabilidade.”

Como boa diplomata, apontou os avanços do Brasil na área, enaltecendo, por exemplo, a área de biocombustíveis. Comentou também que ficou surpresa com o tamanho da delegação do País que se deslocará para Glasgow. Além de representantes do Executivo, autoridades do Legislativo, como o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, e outros parlamentares, governadores, e porta-vozes do setor privado e o terceiro setor irão para o Reino Unido.

Questionada sobre se apenas reportava à Suécia pontos positivos sobre o Brasil, Johanna, que conheceu a Amazônia no ano passado a convite do vice-presidente Hamilton Mourão, disse que o País precisa também atacar em três pontos principalmente: desmatamento, área financeira e Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC, na sigla em inglês), que são as metas definidas por cada nação para contribuir com a mitigação das mudanças climáticas.

“Claro que o governo tem uma posição difícil”, enfatizou, sem detalhar mais sobre o tema. Ela, no entanto, avaliou como “muito positiva” a mudança de tom do discurso do presidente Jair Bolsonaro, em abril, durante a Cúpula de Líderes sobre o Clima. “Ficamos muito felizes com isso.” Sobre o desfecho da COP, a embaixadora disse que a Suécia conta com “alguns movimentos” e apostará neles até o final do encontro. “Não acabará até que termine.”

Com a Suécia membro da União Europeia (UE), Johanna lembrou que avanços nessa área do Brasil serão importantes, inclusive, para que se ratifique o acordo comercial do Mercosul com o bloco do Norte. “Precisamos ver avanços reais”, afirmou, enfatizando a importância direta do Brasil para seu país, assim como um hub para negócios com vizinhos na América do Sul.  

A Suécia fez o compromisso de reduzir as emissões líquidas de gases do efeito estufa a zero até 2045. Além disso, o setor de transporte sueco terá de reduzir as emissões em 70% até 2030 em comparação com 2010. A despeito destas metas, a economia do país escandinavo cresceu 10% de 2010 a 2016, enquanto as emissões foram reduzidas em 10%. Nas negociações internacionais, o país participa pela UE, mas, nacionalmente, os objetivos são mais ambiciosos do que os do bloco.

“Temos um grande consciência no país sobre os impactos do clima. Políticos de todos os espectros atuam nesse sentido. Não é como em outros países, uma questão de eleições. A transição verde é um tema arraigado e temos uma população que acredita que este é o melhor caminho.”

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