COP da biodiversidade pode virar uma nova ‘Copenhague’

‘Há grande risco de fracasso em tratado para biodiversidade’, diz secretário de Biodiversidade e Florestas do MMA

Afra Balazina, O Estado de S. Paulo

23 de setembro de 2010 | 18h34

O secretário nacional de Biodiversidade e Florestas, Bráulio Dias, afirmou nesta quinta que “há um grande risco de fracasso” em obter um tratado entre os países para proteger a biodiversidade mundial na 10ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP-10), em outubro, em Nagoya (Japão). Ele contou a má notícia em evento em São Paulo.

 

De acordo com o secretário, uma reunião de diplomatas preparatória para a COP 10 que ocorreu nesta semana em Montreal (Canadá) terminou sem avanços significativos.

 

“Isso vai ser uma grande derrota para todos nós. Estamos num momento muito delicado. Podemos ter uma nova Copenhague”, disse ele, referindo-se à Conferência do Clima da ONU realizada no ano passado na Dinamarca, que também acabou sem um acordo.

 

Em Nagoya, um dos principais objetivos é traçar metas de preservação da biodiversidade para os próximos dez anos – com o agravante de que muitas das metas propostas para até 2010 não terem sido cumpridas. O Brasil, por exemplo, havia se comprometido a zerar o desmatamento da Mata Atlântica, o que não ocorreu.

Dias afirma que o prejuízo ao País com o fracasso de um acordo sobre biodiversidade será ainda maior do que o ocorrido no caso das mudanças climáticas. Isso porque “nós somos os maiores detentores de biodiversidade”.

 

Segundo ele, se “não conseguirmos regras adequadas” de acesso aos recursos da biodiversidade e de repartição de seus benefícios, os mais prejudicados serão os países ricos em biodiversidade, “em primeiro lugar o Brasil”. “Se não conseguirmos um plano estratégico ambicioso, mas factível, e com compromisso de implementação, vai chegar em 2020 e vão cobrar o Brasil, colocar a culpa no País”, diz.

 

Como nas negociações na área de aquecimento global, novamente se vê um enorme desencontro entre os interesses dos países em desenvolvimento e os dos países desenvolvidos – há uma polarização entre as nações do Norte do globo e as do Sul.

 

O secretário dá um exemplo: os europeus defendem metas extremamente ambiciosas – como a de interromper a perda de biodiversidade no planeta até 2020. Porém, não querem financiar a conservação da biodiversidade em países com menos recursos.

 

O Brasil não concorda com isso. Considera que os países desenvolvidos têm de garantir os meios para implementar a conservação da biodiversidade (com recursos financeiros, tecnologia e capacitação técnica de nações menos desenvolvidas). 

 

Dias diz que os países farão mais um esforço para chegar a um consenso já em Nagoya. “O governo brasileiro vai lutar até o fim para haver sucesso. Mas é preciso que esse tratado seja equilibrado.” 

  

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