Bruno Kelly/REUTERS
Bruno Kelly/REUTERS

COP-26: 30 instituições financeiras prometem eliminar investimento ligado a desmatamento

Anúncio, em evento sobre florestas e uso da terra, apoia compromisso dos países de deter o desmate até 2030

Célia Froufe, O Estado de S.Paulo

02 de novembro de 2021 | 09h11

BRASÍLIA - Mais de 30 instituições financeiras se comprometeram a eliminar o investimento em atividades vinculadas ao desmatamento. O anúncio foi feito em um evento da Cúpula dos Líderes Mundiais sobre Florestas e Uso da Terra, realizado na Conferência do Clima (COP-26), em Glasgow. Juntas, essas instituições administram US$ 8,7 trilhões em ativos.

Também foram anunciadas mudanças no comércio sustentável de commodities florestais e agrícolas, além de ações de apoio aos povos indígenas e comunidades locais. “O objetivo é se distanciar de portfólios que investem em cadeias de suprimentos de commodities agrícolas com alto risco de desmatamento e buscar uma produção sustentável”, informou o Departamento de Meio Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais (Defra), do Reino Unido, sede do evento.

Serão mobilizados, ainda, segundo a Defra, US$ 7,2 bilhões para apoiar a economia florestal. Por fim, o financiamento público-privado comprometido com a Coalizão Reduzindo as Emissões por meio da Aceleração do Financiamento Florestal (Leaf, na sigla em inglês) ultrapassa US$ 1 bilhão. 

“Isso fornecerá financiamento para países que reduzirem com sucesso as emissões do desmatamento, desde que essas reduções tenham sido verificadas e confirmadas de forma independente”, explicou a agência britânica, acrescentando que o financiamento será fornecido apenas por empresas já comprometidas com os cortes de emissões em suas próprias cadeias de abastecimento.

A iniciativa batizada de Finanças Inovadoras para a Amazônia, Cerrado e Chaco (IFACC, na sigla em inglês) anunciará US$ 3 bilhões para acelerar o combate ao desmatamento e a soja livre de conversão, conforme a agência britânica.

No comércio, foi divulgado um novo roteiro de transações sustentáveis para quebrar o vínculo entre o desmatamento e as commodities agrícolas. O manifesto foi lançado por 28 países produtores e consumidores, incluindo Indonésia, Brasil, Colômbia, os da União Europeia, Reino Unido e Estados Unidos.

Essas mudanças apoiarão o compromisso que será assumido nesta terça-feira, 2, por mais de cem líderes mundiais, representando países que contêm mais de 85% das florestas do mundo, para deter e reverter o desmatamento e a degradação da terra até 2030.

A transição global para um sistema sustentável de uso da terra e alimentos pode fornecer 4,5 trilhões de libras por ano de novas oportunidades de negócios até 2030, de acordo com o Defra. “Na última década, cerca de 40 vezes mais montantes em financiamento fluíram para práticas destrutivas de uso da terra, em vez de proteção florestal, conservação e agricultura sustentável”, apontou comunicado.

O departamento explicou que esses investimentos e transições serão apoiados por uma declaração conjunta de nove bancos multilaterais de desenvolvimento - incluindo o Banco Mundial - que os compromete a integrar a natureza em seus investimentos e no diálogo político com os países. 

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