ISRAEL LEAL/AP
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COP-16: México espera mudança de postura dos EUA frente ao efeito estufa

Presidente mexicano defende que o partido Republicano, maioria na Câmara dos Deputados nos EUA, deva aceitar a necessidade de proteger o clima

AP

30 Novembro 2010 | 13h07

O Presidente do México Felipe Calderón afirmou entender o porquê do eleitorado dos EUA, no contexto de crise econômica global, ter dado crédito recente ao partido de oposição, mas espera que os Republicanos aceitem a necessidade de proteger o clima global para as gerações futuras.

 

A eleição de uma maioria republicana na Câmara dos Deputados, em 02 de novembro, pode tornar praticamente impossível que qualquer legislação para limitar as emissões de carbono seja aprovada nos EUA por, pelo menos, dois anos. O posicionamento americano, junto a outras nações, é essencial para o desenho de um pacto novo e mais rigoroso para suceder Kyoto, que expira em 2012.

 

Muitos republicanos descartam as evidências científicas do aquecimento global, e lutaram contra a lei de energia, patrocinada pelos democratas, nos últimos dois anos.

 

"Espero que eles possam entender, cedo ou tarde, a importância disso para o futuro", Calderón disse na segunda-feira, dia de abertura da COP-16 da ONU para o clima, que acontece em Cancún.

 

Ao mesmo tempo, em uma crítica explícita à China, o líder mexicano também alertou para algumas nações mais pobres que estão tomando posições "radiciais" contra qualquer compromisso legal para controlar suas emissões de dióxido de carbono e de outros gases industriais, de transporte e de agricultura que também causam o aquecimento global. Calderón afirma que essa redução é algo que o México, país que sedia a COP-16, está tentando fazer.

 

O esforço diplomático para impor controles mais rigorosos nas emissões de gases estufa tem sido dificultado nos últimos anos pelos atritos entre os dois maiores emissores, China e EUA.

 

Os Estados Unidos se recusaram a se unir ao resto do mundo industrializado no Protocolo de Kyoto, o tratado climático de 1997 que previa reduções modestas entre os países mais ricos. Os americanos justificaram a não-ratificação alegando que sua economia seria prejudicada e que o protocolo isentaria economias emergentes como a Índia e a China.

 

Os chineses, por sua vez, resistiram às pressões dos EUA e de outros países nos últimos anos para assumir compromissos não de reduzir, e sim limitar o aumento das suas emissões, alegando que ainda eram muito pobres para assumir o risco de retardar seu crescimento econômico.

 

Questionado sobre os impactos que as eleições de novembro nos EUA podem ter sobre os esforços globais para o clima, Calderón disse que é difícil fazer comentários sobre assuntos internos de um vizinho, mas que "a crise econômica nos Estados Unidos foi um revés para a qualidade de vida de milhões e milhões de americanos, e é um fator muito importante na opinião do povo. Sou capaz de compreender isso".

 

Mas, em um eco do presidente Barack Obama, Calderón, ex-secretário de Energia do México, disse que os líderes políticos devem explicar melhor aos seus povos que a substituição da queima de combustíveis fósseis por fontes de energia renovável poderia realmente impulsionar suas economias.

 

"Precisamos convencer as pessoas de que para vamos ajudá-las a recuperar a economia e seus empregos, e, ao mesmo tempo, tomar medidas a favor das novas gerações para que, provavelmente, elas possam encontrar seus novos postos de trabalho nesta nova economia verde."

 

Perguntado se ele acredita que as grandes nações em desenvolvimento, como o México, poderiam se juntar com as nações industriais em um novo tratado vinculativo sobre o clima, Calderón disse que o México "tem a vontade de fazê-lo", desde que com base em "responsabilidades comuns, mas diferenciadas", condição em que os países pobres não precisam diminuir as emissões, mas apenas instituir controles.

 

Calderón, presidente do México durante os últimos quatro anos, deverá ter um papel importante na próxima semana, afim de tentar resolver as disputas diplomáticas sobre um segundo tratado do clima na COP-16. Ele lamenta que os jogadores "grandes" estejam bloqueando o progresso de todos, e disse que as outras nações precisam "iniciar com o que é possível".

 

Como exemplo, ele citou um plano prestes a ser anunciado em seu governo, que vai substituir lâmpadas incandescentes por novas lâmpadas que poupam energia.

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