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Coordenador do Fórum Brasileiro de Mudança do Clima pede demissão durante COP-26 em Glasgow

Sociedade civil e governo estão em estandes diferentes e não se falam, justificou ex-coordenador ao 'Estadão'

André Shalders, O Estado de S.Paulo

02 de novembro de 2021 | 19h55

BRASÍLIA - O engenheiro e advogado Oswaldo dos Santos Lucon pediu demissão, na tarde desta terça-feira, 2, do posto de coordenador-executivo do Fórum Brasileiro de Mudança do Clima, para o qual havia sido nomeado em 2019 pelo presidente Jair Bolsonaro. A demissão ocorre em meio à Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP-26), em Glasgow, na Escócia. Ao Estadão, Lucon disse que estava saindo por causa da falta de interlocução do governo com os representantes da sociedade civil.

O Fórum Brasileiro de Mudança do Clima (FBMC) é um organismo oficial de aconselhamento científico do presidente da República, criado por lei. O objetivo do fórum é assessorar o chefe do Executivo no tema da emergência climática, por meio do diálogo com a comunidade científica. Lucon, que é pesquisador da área de energia, comunicou a saída do cargo ao ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, por e-mail. “Ele (ministro) ligou para mim agora à noite pedindo para confirmar, e eu confirmei (a saída)”, disse ele ao Estadão.

Lucon está em Glasgow como representante do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), e disse que não foi seu objetivo criar um “fato político-partidário” com o pedido de demissão do cargo. “Não houve nenhum episódio pontual que me tenha feito tomar essa decisão, e nem foi nada premeditado, mas eu achei que, pelo bem do País, foi melhor eu sair”, disse.

O ex-coordenador conta que a participação brasileira em Glasgow se dá em dois estandes diferentes: um com representantes do governo e outro com a sociedade civil e alguns governadores de Estados. Os dois grupos pouco se conversam.

“Havia uma interlocução aquém do que se espera para uma instituição (o Fórum Brasileiro de Mudança do Clima) que busca criar um diálogo entre governo e sociedade (...). Chegou um momento em que parte da sociedade também não buscou mais o governo”, disse Lucon.

“Então nós temos essa divisão física aqui dentro da COP, ela ficou muito evidente. Isso é tudo menos um fórum. O que eu deveria fazer? Ficar no estande A ou no estande B? A minha ideia não era essa, era juntar todo mundo. Mas eu não consegui juntar todo mundo. Então, eu não tenho mais o que fazer (no Fórum)”, disse.

Lucon não quis comentar a atuação do governo brasileiro na COP-26. Brasília apresentou uma proposta de revisão da meta climática que não amplia o corte de emissões de gases do efeito estufa em relação ao compromisso anterior, assumido no Acordo de Paris. Como representante do IPCC, o pesquisador não pode emitir opinião sobre a atuação de um determinado governo na conferência.

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