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Contra as enchentes, holandeses criam casas anfíbias

Fons Van Raak e a mulher, Marianne, não vivem numa ilha, mas dependem de barcos para chegar em casa. Localizada no vilarejo de Maasbommel, a 100 quilômetros de Roterdã, a residência deles é uma das 45 “casas anfíbias” de um projeto pioneiro, concebido por um escritório de arquitetura, com apoio governamental. O objetivo: testar tecnologias de construção que permitam a milhões de holandeses conviver com enchentes de proporções inéditas.

Andrei Netto, Correspondente de O Estado de S. Paulo

26 Novembro 2009 | 23h18

 

Planejado pelo arquiteto Adri Van Oojen, o projeto Cidade Flutuante saiu do papel em 2004, com a construção de 14 casas de um total de 45. Elas têm um mecanismo de sistemas hidráulicos capaz de elevá-las 5 metros acima do nível normal em caso de cheias. Elevadores facilitam o içamento da moradia, que tem fundações de concreto e área habitável de madeira. “A parte superior é leve e a inferior, pesada. Quando o nível da água sobe a casa flutua. Os pilares servem de âncora”, diz Ger Kengen, diretor da Factor Architectem, responsável pelo projeto. “É agradável para viver e totalmente à prova de enchentes”, diz Marianne.

 

Casas como a dos Van Raak são a ponta visível de um projeto mais ambicioso da companhia Dura Vermeer, que as ergueu: a construção de cidades flutuantes na Holanda. Um programa espetacular, que prevê a entrega de 12 mil casas anfíbias, está em estudo. O local escolhido é o entorno do aeroporto da capital, Amsterdã.

 

A proposta tem apoio oficial porque representa uma nova forma de enfrentar dramas antigos e futuros do reino. Situado em uma das regiões da Europa mais suscetíveis aos efeitos das mudanças climáticas, o arquipélago tem 26% de suas terras abaixo do nível do mar. Dos 16 milhões de habitantes da Holanda, mais de 9 milhões podem ter de deixar suas casas caso o complexo sistema de diques e barreiras for coberto pelas águas do Oceano Atlântico. Um risco palpável caso as piores previsões do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU se confirmem e o nível dos oceanos suba pelo menos 1 metro até 2100.

 

Além de apoiar estudos sobre as casas anfíbias, o governo investe pesado em projetos de adaptação, parte do National Waterplan. Um deles, o Programa Delta, propõe o reforço de diques e a ampliação – por meio de aterros – de áreas de costas para evitar desastres como o provocado pelo furacão Katrina, em Nova Orleans. O investimento é da ordem de 100 bilhões até 2100.

 

Outro projeto, o Espaço para o Rio, ampliará o alagamento de terras da região de Noordwaard, reduzindo o nível dos rios em locais onde vivem 4 milhões de holandeses. Para isso, 49 casas e 26 propriedades rurais terão de ser abandonadas até 2015 e o governo indenizará 150 pessoas. “Quando sofremos inundações em 1993 e 1995, ficou claro que o clima mudava”, diz Ralf Gaastra, diretor do projeto. “Nos demos conta de que não seria possível continuar elevando indefinidamente a altura de nossos diques. Era preciso buscar outras soluções.”

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