Confiança em biocombustíveis contra aquecimento é baixa, mostra pesquisa

Tomadores de decisão em 105 países vêem energia solar a melhor entre 18 soluções.

BBC Brasil, BBC

11 de dezembro de 2007 | 09h55

Tomadores de decisão com influência sobre a questão das mudanças climáticas acreditam pouco nos biocombustíveis como uma tecnologia capaz de reduzir as emissões de gases que provocam o aquecimento global, segundo uma pesquisa feita pela organização internacional IUCN, ou União Mundial pela Conservação.A pesquisa, divulgada nesta terça-feira em Bali, na Indonésia, durante a reunião da Convenção do Clima da ONU (UNFCCC), indica que esses tomadores de decisão confiam mais nas bicicletas do que nos biocombustíveis como forma de combater o aquecimento global.A IUCN ouviu mil integrantes de governos, de organizações não governamentais e do setor industrial de 105 países.O secretário-executivo da UNFCCC, Yvo de Boer, disse durante as negociações em Bali que "a tecnologia precisa estar no centro da resposta futura às mudanças climáticas".A pesquisa da IUCN procurou avaliar as tecnologias disponíveis que inspiram mais confiança em sua capacidade de combater o aquecimento global.Das 18 soluções tecnológicas apresentadas pela pesquisa com potencial para "reduzir os níveis de carbono nos próximos 25 anos", a menor taxa de confiança (21%) foi dada à produção atual de biocombustíveis a partir de cultivos agrícolas, como cana-de-açúcar, milho ou soja , considerados "biocombustíveis de primeira geração".A chamada "segunda geração" de biocombustíveis, feitos a partir de celulose, que utilizam, por exemplo, restos da colheita de alimentos, tem uma aprovação melhor na pesquisa, com 43% (sétima solução mais bem aceita). Estes combustíveis, porém, ainda não estão disponíveis em larga escala.As soluções com maior índice de aprovação na pesquisa são o uso de energia solar para aquecimento de água (74%), energia solar para geração de energia elétrica (73%), produção de energia eólica com moinhos no mar (62%) e energia eólica com moinhos no continente (60%).Entre as soluções que menos inspiram confiança, além dos biocombustíveis de primeira geração, estão as grandes hidrelétricas (26%), veículos movidos pela força humana, como bicicletas (28%), gás natural (29%) e tecnologia nuclear existente (29%).A pesquisa também indicou que quase metade dos entrevistados (48%) acredita que a maior contribuição para mitigar os efeitos do aquecimento global nos próximos dez anos deverá vir da redução da demanda por energia e do aumento da eficiência energética.Para 35% dos entrevistados, a maior contribuição virá de fontes de suprimento de energia mais limpa, enquanto 18% acreditam nas tecnologias para captura de carbono como a melhor maneira de mitigar a mudança climática na próxima década.A pesquisa da IUCN também indicou um pessimismo em relação à possibilidade de que haja um acordo até 2009 para substituir o atual Protocolo de Kyoto, que vence em 2012.Um terço dos entrevistados (33%) considera pouco provável ou muito pouco provável que um acordo seja conseguido até 2009. Apenas 6% consideram um acordo muito provável, enquanto 21% disseram acreditar que um acordo é provável; 37% disseram ter uma visão neutra sobre a possibilidade de um acordo.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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