Conferência do clima acerta acordo para deter desmatamento

O acordo pode permitir que países com áreas de floresta façam da conservação das matas uma mercadoria

EMMA GRAHAM-HARRISON, REUTERS

14 de dezembro de 2007 | 13h40

A conferência do clima em Bali chegou a um acordo na sexta-feira, 14, para limitar as emissões de gases do efeito estufa decorrentes do desmatamento, acordo esse celebrado como um sinal da disposição dos países em desenvolvimento para enfrentar o aquecimento global. O acordo pode acabar permitindo a países, pobres detentores de áreas de floresta, que façam da conservação das matas uma mercadoria negociável, podendo faturar bilhões de dólares com a venda de créditos de emissão de carbono. Mas um dos responsáveis pelo esquema avisou que, se bem-sucedido, o acordo poderia criar bônus de redução de emissão em proporções tais que os mercados de carbono entrariam em colapso, caso os países ricos não adotem metas mais rígidas para reduzir a produção dos gases do efeito estufa. A destruição de florestas responde por 20% das emissões de dióxido de carbono decorrentes das atividades humanas, de forma que a conservação das matas é fundamental para conter o aumento das temperaturas. O desmatamento não constou dos acordos anteriores sobre o clima devido a dúvidas sobre como determinar quais árvores estavam ameaçadas. E qualquer esquema beneficiaria mais os países que hoje destroem suas florestas do que aqueles que as preservam. "As matas têm sido o elefante postado no canto das negociações sobre as mudanças climáticas", afirmou Andrew Mitchell, diretor-executivo do Global Canopy Programm, acrescentando que os mercados seriam a única forma de gerar os bilhões de dólares anuais necessários para proteger as florestas. "Não podemos contar com a filantropia dos governos para que esse dinheiro seja fornecido de maneira sustentável", disse. O novo acordo, que foi acertado mas ainda não recebeu aprovação formal, cria uma estrutura para que os países dêem início a projetos-piloto e para que estabeleçam as bases de programas mais amplos. Um fundo de US$ 300 milhões que o Banco Mundial pretende criar ajudará a pagar pelas pesquisas sobre as florestas e por outras ações básicas, além de financiar os primeiros projetos. Mas o acordo elaborado em Bali tem sido conduzido pelos países em desenvolvimento. No entanto, Kevin Conrad, diretor-executivo da Coalizão para os Países de Florestas Tropicais e enviado de Papua-Nova Guiné para as negociações em Bali, disse que, quando ganharem velocidade, os programas gerariam tantos créditos de emissão que abarrotariam os mercados de carbono. Atualmente, segundo prevê o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo do Protocolo de Kyoto, os países ricos podem pagar por projetos de redução de emissões nos países em desenvolvimento e receber créditos a serem utilizados para que atinjam suas cotas de emissão. Conrad, porém, disse que o esquema precisa ter metas mais rígidas. "A única forma de conseguirmos novos recursos passa por fazer com que os países ricos ampliem seus cortes", afirmou Conrad a jornalistas em meio às negociações de Bali, coordenadas pela ONU. "Não vamos abarrotar os mercados e depois derrubar os preços para todo mundo, porque então seríamos incapazes de superar os custos mais favoráveis", acrescentou.

Tudo o que sabemos sobre:
CLIMAACORDODESMATAMENTO

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.