Conferência de Bali vê pressões para excluir metas de 2020

Meta de corte de 25% a 40% continua no texto da declaração final, mas EUA querem removê-la

EMMA GRAHAM-HARRISON, REUTERS

10 de dezembro de 2007 | 11h14

Os EUA defenderam que fosse retirada, de um projeto de declaração debatido nas negociações de Bali sobre o clima, uma dura meta de corte nas emissões de gases do efeito estufa a ser cumprida até 2020 pelos países ricos, afirmaram delegados na segunda-feira. O encontro, que acontece de 3 a 14 de dezembro, procura dar início a dois anos de negociação sobre um pacto capaz de brecar o aquecimento da Terra. Mas atualmente encontra-se dividido quanto a incluir, ou não, diretrizes, como um corte nas emissões dos países ricos para um patamar entre 25% e 40% abaixo dos níveis de 1990, até 2020. "Os números ainda constam do texto. Há, no entanto, muitas pressões para que sejam retirados", afirmou um delegado familiarizado com as negociações. Ele corrigiu uma informação anterior segundo a qual os números tinham sido retirados. Outros delegados também afirmaram que o projeto, elaborado por delegados da Indonésia, da Austrália e da África do Sul, ainda incluía as cifras, apesar das pressões de países como os EUA, o Canadá e o Japão. Na opinião do governo norte-americano, as metas para 2020 deveriam ser negociadas nos próximos dois anos, em vez de serem fixadas de forma antecipada como parte da luta contra o aumento das temperaturas da Terra. "Não podemos prejulgar qual será o resultado (do processo de negociação sobre um novo pacto)", afirmou o principal negociador dos EUA na conferência, Harlan Watson. "Não queremos começar o processo com números já estabelecidos." Segundo Watson, o corte de 25% a 40% baseia-se em "muitas incertezas" e em um pequeno número de estudos avaliados pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), da Organização das Nações Unidas (ONU). As negociações sobre o clima devem acertar os princípios de um eventual sucessor para o Protocolo de Kyoto, um acordo que obriga 36 países industrializados a diminuírem, até 2008-2012, suas emissões de gases do efeito estufa para 5% abaixo dos níveis de 1990. "Não mudamos de opinião sobre Kyoto", afirmou Watson. O presidente norte-americano, George W. Bush, opõe-se ao Protocolo de Kyoto argumentando que o acordo prejudicaria a economia dos EUA e que havia errado ao excluir das metas compulsórias os países em desenvolvimento, tais como a China, a Índia e o Brasil. Agora, no entanto, Bush diz que assinará um novo pacto global. (Com reportagem de Gde Anugrah Arka em Bali, Rob Taylor em Canberra)

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