Conferência climática tenta superar divisão ricos/pobres

Começa nesta segunda-feira no México a conferência climática na qual quase 200 países buscarão consensos a respeito dos temas que separam as nações ricas das emergentes.

TIMOTHY GARDNER E ROBERT CAM, REUTERS

29 Novembro 2010 | 10h13

O evento de duas semanas no balneário de Cancún tentará definir verbas e estratégias para a preservação das florestas e para a adaptação ao aquecimento global. Os negociadores buscarão também formalizar metas existentes para a redução das emissões de gases do efeito estufa.

A expectativa desta vez é bem menor que na conferência do ano passado em Copenhague, que terminou sem a adoção de um novo tratado climático mundial.

Na véspera da abertura da nova conferência, o presidente mexicano, Felipe Calderón, citou as oportunidades econômicas decorrentes do combate à mudança climática.

"Este dilema entre proteger o meio ambiente e combater a pobreza, entre o combate à mudança climática e o crescimento econômico, é um falso dilema", afirmou ele, ao inaugurar um gerador de energia eólica no hotel que abriga a conferência.

Calderón disse que as conversações irão se concentrar em formas de preparar os países - especialmente os mais pobres - para enfrentarem a mudança climática. "Basicamente, vamos discutir a adaptação", afirmou ele.

Esse comentário irritou negociadores da União Europeia, segundo os quais as discussões devem estar voltadas também para a obtenção de compromissos mais sólidos para a redução de emissões, inclusive por parte dos países em desenvolvimento.

"Vamos buscar um conjunto limitado de decisões em Cancún. Espero que apontemos o caminho para o futuro", disse no domingo o negociador europeu Artur Runge-Metzger.

"Vemos, sim, os contornos de um acordo", afirmou Peter Wittoeck, negociador da Bélgica, país que preside a União Europeia neste semestre.

O objetivo do processo é adotar um tratado mais rígido para o controle climático em substituição ao Protocolo de Kyoto, que expira em 2012.

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