Conferência climática da ONU aproxima-se de acordo--Unep

O mundo aproxima-se de um acordo no âmbito das Nações Unidas para evitar os piores efeitos do aquecimento global, disse um relatório da ONU no domingo, enquanto os delegados se reuniam para discussões sobre o clima em Copenhague.

REUTERS

06 Dezembro 2009 | 18h01

"Aqueles que dizem que um acordo em Copenhague é impossível estão simplesmente errados", disse Achim Steiner, chefe do programa do meio-ambiente da ONU (Unep), enquanto delegados de 190 países chegavam à capital dinamarquesa para as discussões sobre o clima que acontecem de 7 a 18 de dezembro para substituir o Protocolo de Kyoto.

"Estamos a curta distância de um acordo", disse ele em entrevista coletiva.

O perito em mudanças climáticas da Unep Nicholas Stern disse num relatório que a diferença entre as propostas apresentadas pelos países para a redução das emissões de gases causadores do efeito estufa e o que se precisa é de apenas alguns bilhões de toneladas.

O relatório disse que o mundo deveria tentar conseguir emissões máximas de 44 bilhões de toneladas por ano em 2020 para ter uma chance de conter um aumento na temperatura mundial a um limite de 2 graus Celsius acima da era pré-industrial.

As atuais propostas de limitação das emissões por países desenvolvidos e em desenvolvimento seriam o suficiente para limitar as emissões a 46 bilhões de toneladas em 2020.

Nos últimos dias e semanas, vários países inclusive os Estados Unidos, a China, a Índia, o Brasil e a Indonésia, definiram novas metas para reduzir as mudanças climáticas, que podem causar mais enchentes, secas, ondas de calor e um aumento do nível dos oceanos.

O relatório estimou que atualmente as emissões anuais de gases causadores do efeito estufa são de cerca de 47 bilhões de toneladas por ano. Sem as reduções, esse número aumentaria para 50 bilhões ou mais até 2020, conforme o estudo.

Em contrapartida, muitos peritos dizem que as promessas feitas até agora não são suficientes para chegar aos níveis que foram definidos para evitar o pior das mudanças climáticas, como garantir que as emissões globais caiam depois de 2020.

Steiner disse reduzir as emissões da aviação e da navegação ou melhor uso de florestas para absorver as emissões poderiam ajudar a reduzir a diferença.

Steiner disse que a diferença entre o que os cientistas acreditam ser necessário e o que está na mesa em Copenhague reduziu-se bastante. "Ainda há uma diferença significativa, mas as pessoas exageram sobre a impossibilidade de reduzir a diferença."

"Pode-se dizer que estamos a apenas algumas gigatoneladas de alcançarmos um acordo em Copenhague em termos do objetivo de 44 gigatoneladas até 2020", disse ele.

"Isso é um sinal de que se os líderes quiserem negociar um acordo, eles podem alcançar um consenso antes do fim do encontro de Copenhague."

(Por Alister Doyle e Anna Ringstrom)

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