NILTON FUKUDA/ESTADÃO
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Concentração de ozônio supera o limite 2 vezes a cada 3 dias em SP

Maior número de veículos nas ruas e termelétricas são causa, diz IBGE, que divulgou nesta sexta-feira estudos sobre ambiente

O Estado de S. Paulo

19 Junho 2015 | 10h00

Atualizada às 20h51

RIO - Mais veículos nas ruas e o emprego de usinas termelétricas para abastecer o País fizeram com que a emissão de ozônio, um dos gases mais críticos para a poluição atmosférica, aumentasse de forma drástica na região metropolitana de São Paulo. Em 2012, o limite estabelecido para a concentração do gás foi ultrapassado 576 vezes, média de duas vezes a cada três dias.

A emissão de ozônio, oriunda da queima de combustíveis fósseis, voltou a subir em 2009 e desde então não parou, segundo os Indicadores de Desenvolvimento Sustentável (IDS) 2015, divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

O limite de concentração média do gás é de 160 microgramas por metro cúbico de ar em uma hora, segundo resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), que prevê ainda que o teto não deve ser excedido mais de uma vez por ano. Concentrações elevadas de ozônio são prejudiciais à saúde, mas a emissão do gás é difícil de ser controlada. Segundo o IBGE, a emissão de outros poluentes tem caído em São Paulo.

O maior número de carros é a principal explicação para o aumento no número de violações na emissão de ozônio em São Paulo, diz o IBGE. Entre 2011 e 2012, a frota aumentou em 176.486 veículos apenas na capital, superando 7,3 milhões de unidades, de acordo com o Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran-SP). Em abril deste ano havia 7,9 milhões de veículos nas ruas.

Há outros fatores por trás das violações. “A (geração de) energia termelétrica emite ozônio”, frisou Júlio Jorge da Costa, pesquisador da Coordenação de Recursos Naturais do IBGE. Em 2012, a geração de energia por meio de usinas térmicas convencionais no subsistema Sudeste/Centro-Oeste mais que dobrou em relação ao ano anterior, segundo o Operador Nacional do Sistema (ONS). Isso porque a falta de chuvas dificultou a geração de energia em usinas hidrelétricas. Também houve o represamento dos preços da gasolina, que resultou em menor consumo de etanol, produzido de forma sustentável.

Agrotóxicos. O IBGE também divulgou dados sobre uso de agrotóxicos no Brasil. São Paulo aparece como o Estado recordista na comercialização do produto: em 2012, foram 10,5 quilos do produto por hectare plantado. Na média do País, o uso de agrotóxicos mais do que dobrou de 2000 a 2012: passou de 3,2 kg/ha, no início da década, para 6,9 kg/ha em 2012.

O emprego da substância é polêmico. Em abril, o Instituto Nacional do Câncer (Inca) classificou o Brasil como o maior consumidor mundial de agrotóxicos e recomendou “redução progressiva e sustentada” do uso, diante de evidências de que a exposição ao produto está ligada a casos de câncer. / IDIANA TOMAZELLI, MARIANA SALLOWICZ e CLARISSA THOMÉ

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