REUTERS/David Gray
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Concentração de gases atinge recorde e ONU diz que espaço para agir está 'quase' encerrado

Para a ONU, o que também preocupa é que não existem sinais claros de que essa tendência será revertida

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

22 Novembro 2018 | 07h00

GENEBRA – Apesar de todo o discurso e promessas de líderes internacionais sobre as ações que estão adotando para reduzir as emissões de gases de efeito estufa, dados publicados nesta quarta-feira, 21, pela ONU revelam que nunca o volume desses gases atingiu tais proporções. Em 2017, a concentração de CO2 e outros elementos bateu um novo recorde. Para a ONU, o que também preocupa é que não existem sinais claros de que essa tendência será revertida. 

Segundo os cálculos, a concentração de CO2 atingiu pela primeira vez, em 2015, a marca simbólica de 405,5 partes por um milhão (ppm). Há apenas dois anos, ela cruzava pela primeira vez a marca de 400 partes. Em 2016, a taxa fora de 403,3 partes.

Os estudos também revelam que “não há sinal de que essa tendência seja revertida, o que está conduzindo as mudanças climáticas no longo prazo, o aumento nos níveis dos oceanos, acidificação dos mares e eventos climáticos cada vez mais extremos”.

“A ciência é clara”, declarou o secretário-geral da Organização Meteorológica Mundial, Petteri Taalas. “Sem um corte rápido de CO2 e outros gases, as mudanças climáticas terão impactos cada vez mais destrutíveis e irreversíveis sobre a vida no planeta”, disse. “A janela de oportunidade para uma ação está quase fechada”, alertou. 

Segundo ele, a última vez em que o mundo viveu uma concentração equivalente de CO2 foi entre 3 milhões e 5 milhões de anos atras. Naquele momento, as temperaturas eram 2 a 3 graus mais altas e os níveis dos mares cerca de 20 metros acima dos padrões de hoje. 

De acordo com os cientistas, a concentração se refere ao volume de gases que fica na atmosfera depois de um complexo sistema de interações entre a atmosfera, biosfera e oceanos. Cerca de um quarto das emissões são absorvidas pelos oceanos e outros 25% pela biosfera. 

Os dados voltam a reforçar o recado enviado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, que apontou para um aquecimento de 1,5 graus C. A ciência, segundo a entidade, prevê que as emissões líquidas (o que emitido menos o que é absorvido) precisam zerar até 2050 para que essa elevação de temperatura não supere a marca de 1,5 graus. 

“O CO2 se mantém na atmosfera por centenas de anos. Não existe hoje varinha mágica para o remover”, alertou Elena Manaenkova, número 2 da OMM. 

Essas informações serão agora usadas como base das negociações da reunião da ONU sobre o clima, marcada para ocorrer na Polônia, em dezembro. A meta do encontro é de adotar um guia de implementação do Acordo de Paris

“Uma redução de emissões será necessária em todos os setores da sociedade e da economia”, alertou Hoesung Lee, que comanda o IPCC.

Segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM), houve um incremento de 41% do efeito de aquecimento do clima entre 1990 e 2017. Isso foi causado pela longa duração e acumulação de gases como o CO2, o metano (CH4) e o N2O gerados por atividades industriais, agricultura e residências.

O CO2 é responsável por 82% do aumento do efeito estufa nos últimos dez anos. Em comparação ao período pré-industrial, ele sofreu um aumento de mais de 144%. 

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