Conceito de ‘fresh food’ chega ao Brasil

Sócios da rede varejista Mundo Verde inauguram negócio inspirado em nova tendência no Rio

Marili Ribeiro,

07 de fevereiro de 2011 | 18h21

As redes londrinas Eat e Pret a Manger são lanchonetes que servem o que poderia ser classificado como “comidinhas rápidas e saudáveis”. As redes fizeram tanto sucesso na Europa nas últimas duas décadas, que se expandiram para lugares como Nova York ou Hong Kong, graças, principalmente, à forte adesão de quem passa o dia na rua e quer comer barato sem ser no consagrado padrão fast-food McDonald’s.

No Brasil, os sócios franqueadores da rede varejista Mundo Verde decidiram adotar a tendência: inauguram em maio um novo negócio inspirado no tal conceito de “fresh food”. A primeira loja no gênero será aberta no centro do Rio de Janeiro. Mas ainda não tem nome.

A motivação para o empreendimento é fácil de ser compreendida. O negócio de franquias da Mundo Verde quer expandir horizontes e, lógico, melhorar os dividendos dos acionistas. Com um braço no segmento de serviços de alimentação fora de casa, que absorverá produtos dos fabricantes que se desenvolveram no entorno das lojas da rede, todo o sistema cresce.

A Mundo Verde é hoje a maior rede de produtos naturais da América Latina, com 187 unidades e faturamento de R$ 181 milhões em 2010. No último ano, para aumentar a visibilidade da marca, a empresa decidiu investir em marketing, o que não era habitual na companhia.

Marca própria

A estratégia de expansão pauta também o desembarque nas gôndolas das lojas franqueadas de uma linha de produtos infantis com a própria chancela Mundo Verde nos próximos meses. Por espantoso que possa parecer, nelas não havia um único produto com a marca Mundo Verde. A falha foi detectada em pesquisas após a compra de 100% do capital da empresa pelo fundo de private equity Axxon Group.

Os irmãos e sócios fundadores, Jorge Antunes e Isabel Antunes Joffe, decidiram vender a rede em meados de 2009, em função do aumento da demanda do negócio e diante da ausência de sucessores.

Desde então, a empresa é gerida por Sérgio Bocayuva, ex-executivo do Banco Modal, que se tornou sócio do empreendimento junto com um grupo de ex-diretores do mercado de varejo que passaram por LojasAmericanas, Shell e Bob’s.

Expansão

Desde a entrada do fundo, o número de lojas cresceu quase cinco vezes – de 42, em 2009, para as atuais 187 – e a perspectiva é atingir 400 unidades em cinco anos. Hoje já há uma lista de espera com 1.600 candidatos a franqueados.

“Com esse cenário de expansão, nos tornamos líderes no segmento de ‘holding do bem-estar’, afinal, o sistema Mundo Verde desenvolveu toda uma teia de fornecedores, que fabricam cerca de 30 mil itens”, conta Bocayuva. Segundo ele, mais de 70% desses fabricantes são pequenos e médios empresários que, para crescer, precisam de injeção de recursos.“Vamos fazer isso propondo sociedade, fazendo aquisições, ou até mesmo iniciando operações para fabricar a linha Mundo Verde. O nosso maior cuidado é não canibalizar o atual sistema que opera tão bem”, acrescenta.

Não é sem esconder uma boa dose de orgulho que Sérgio Bocayuva, gestor do sistema de franquias Mundo Verde, conta que a famosa rede varejista americana de produtos naturais e orgânicos Whole Foods cita o caso brasileiro em suas apresentações sobre o sucesso da oferta de produtos saudáveis via internet pelo mundo. "Temos mais de cinco mil itens na nossa rede de distribuição que são fabricados de forma sustentável", diz.

O Mundo Verde nasceu pelas mãos de uma família de Petrópolis, região serrana do Rio de Janeiro, há 24 anos. Após morar oito anos fora do Brasil, eles não achavam produtos sem aditivos artificiais para consumo próprio. Começaram a desenvolver fornecedores e montaram a primeira loja, que deu origem à rede de franquias e mais tarde foi vendida para os atuais sócios. Cerca de 150 mil pessoas circulam diariamente pelas lojas.

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