Adema/Agência Sergipe de Notícias
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Compradora de tambores da Shell confirma navegação em mar brasileiro, mas nega acidente com petróleo

De acordo com a empresa, 'a embarcação não está envolvida no transporte de petróleo bruto e, portanto, não está conectada ao petróleo encontrado nas praias brasileiras'

André Borges, O Estado de S. Paulo

23 de outubro de 2019 | 17h56

BRASÍLIA – A companhia Super-Eco Tankers Management, empresa de origem grega que comprou tambores da Shell encontrados em praias do Nordeste, confirmou ao Estado que atua com o transporte de óleo em águas brasileiras, mas negou que tenha ocorrido acidente com seu navio-tanque. O vazamento de óleo atinge ao menos 600 km da costa brasileira desde o mês passado.

No dia 17 de outubro, conforme documento revelado pelo Estado, a fabricante Shell encaminhou os nomes de dois clientes que compraram os tambores encontrados no meio do piche que polui as praias nacionais. A primeira é a empresa Hamburg Trading House FZE, uma distribuidora baseada nos Emirados Árabes, que adquiriu 20 tambores atrelados ao lote encontrado na costa brasileira.  O segundo cliente é a empresa Super-Eco Tankers Management, que tem base em Monrovia, na Libéria, na África Ocidental, e sede na Grécia.

A Super-Eco Tankers, segundo a Shell, comprou cinco tambores relacionados ao lote do tonel encontrado no Brasil. O Estado enviou uma série de perguntas à matriz da Super-Eco Tankers, na Grécia, a respeito dos tambores.

Dois dias depois, a empresa encaminhou resposta, na qual afirma que seu “navio-tanque Elektra, sob a gestão da Super-Eco Tankers Management Inc., opera em águas brasileiras transportando apenas óleo refinado para exportação”.

De acordo com a empresa, “a embarcação não está envolvida no transporte de petróleo bruto e, portanto, não está conectada ao petróleo encontrado nas praias brasileiras”. A companhia afirma ainda que “o navio nunca esteve envolvido em nenhum incidente relacionado à poluição por óleo”.

A companhia de transporte marítimo não informou se os tambores encontrados estavam dentro de seu navio-tanque Elektra, única embarcação dela que trafega nas águas brasileiras. “Em 17 de outubro, a Super-Eco Tankers Management foi informada pela Shell sobre um barril de óleo lubrificante encontrado na costa nordeste do Brasil. Iniciamos imediatamente uma investigação interna para identificar se esse barril se originou desse navio”, informou.

A Marinha e Polícia Federal já acionaram a empresa para que preste informações, o que foi confirmado pela companhia. “As autoridades já foram notificadas e estamos cooperando totalmente com todas as partes relacionadas para a investigação”.

A Super-Eco Tankers Management atua no setor de transporte marítimo em todo o mundo há mais de 100 anos e gerencia uma frota de navios com transporte de produtos industriais.

O objetivo da investigação brasileira é avançar na trilha logística do produto, para apurar os possíveis responsáveis pelo desastre sem precedentes no mar brasileiro. A Shell já declarou que os tambores encontrados com a logomarca da empresa não foram produzidos ou comercializados pela Shell Brasil e que se trata de uma embalagem usada para guardar um “produto líquido límpido, de coloração âmbar”, ou seja, diferente do petróleo cru que está contaminando o litoral do Nordeste.

Segundo o governo brasileiro, a borra encontrada no litoral tem origem em poços da Venezuela. A hipótese mais forte hoje nas investigações é de que o desastre teria sido causado por uma embarcação fantasma, usada para evitar sanções previstas a quem faz negócios com países sob embargo comercial dos Estados Unidos, como Cuba e a própria Venezuela.

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