Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

Como espantar pernilongos? Mosquitos atormentam entorno do Rio Pinheiros

O calor contribuiu para a proliferação do pernilongo e as queixas aumentaram na zona oeste da capital paulista. Veja respostas para perguntas comuns sobre o assunto

Larissa Gaspar, O Estado de S.Paulo

14 de setembro de 2020 | 21h12

Os moradores da região do Rio Pinheiros fizeram 526 reclamações no Portal de Atendimento da Prefeitura sobre a proliferação de pernilongos nas duas primeiras de setembro. A Unidade de Vigilância em Saúde (UVIS) Lapa/Pinheiros tem realizado ações de fumacê para o combate aos mosquitos, mas as reclamações nas redes sociais são constantes. 

Em nota, a Prefeitura de São Paulo informou que articula com o governo do Estado a ampliação da ação conjunta para controle de pernilongos nas proximidades de córregos e rios. Na manhã desta segunda-feira, 14, foram realizadas ações casa a casa de combate ao Culex nas Ruas Itália, Suíça, Áustria e Dinamarca, localizadas na região de Pinheiros.

A Secretaria Municipal das Subprefeituras também realiza limpeza de córregos na região periodicamente. “Desde janeiro de 2020, foram limpos 2.695 metros de extensão na região de Pinheiros e 23.934 em Santo Amaro. Em toda a cidade, no mesmo período, 1.689.095 metros receberam a limpeza e remoção de detritos”, destaca a nota. 

Dentre as ações preventivas realizadas estão: monitoramento quinzenal; solicitação de manutenção e limpeza de bueiros e galerias; vistorias nos endereços solicitados; mapeamento e diagnóstico de área, com o cruzamento de informações obtidas em vistorias e aplicação de inseticida em áreas delimitadas. 

A aplicação de inseticida por meio de técnica para eliminar insetos rasteiros em grandes extensões, a termonebulização, ocorre desde o início de agosto e estão previstas aplicações nas próximas semanas. De acordo com a Prefeitura, nos últimos dois anos, o volume de pernilongos tem se mostrado estável. O pico na cidade ocorreu no ano de 2004. Em 2018 foi registrado um aumento na presença dos pernilongos, controlado pelas ações do Programa de Controle do Culex.

Confira abaixo como espantar os pernilongos domésticos e saiba o que causou a proliferação do inseto em São Paulo

De que espécie são os pernilongos?

Os pernilongos que estão perturbando moradores da região do Rio Pinheiros são da espécie Culex quinquefasciatus. 

O pernilongo causa alguma doença?

O pernilongo doméstico não é transmissor de doenças virais como a dengue, mas sua picada causa muita coceira. Nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, ele é o principal vetor da filariose humana, conhecida também como elefantíase. 

O que causou o aumento da incidência de pernilongos em São Paulo?

O calor contribui para a proliferação do pernilongo, fator que pode ser explicado pela elevação da temperatura na cidade de São Paulo na última semana. De acordo com Fabiano Duarte, biólogo e pesquisador da Fiocruz, o calor faz com que o metabolismo do inseto seja mais acelerado. “Em geral, o inseto tem ciclo de vida de até um mês, mas com as circunstâncias propícias esse tempo pode chegar até ¼ do tempo, ou seja o pernilongo vai de ovo a adulto em uma semana”. 

Além do calor, os criadouros auxiliam na proliferação do Culex. Qualquer água rica em matéria orgânica, como o Rio Pinheiros, serve como criadouro para a espécie do pernilongo. “Ao contrário do Aedes aegypti, o mosquito da dengue, um copo de água limpa dificilmente irá atrair o Culex”, complementa o biólogo. 

Como espantar os pernilongos?

A solução mais efetiva é a eliminação de criadouros. Este papel cabe à Prefeitura e ao governo do Estado com a despoluição do Rio Pinheiros e aplicação de larvicida biológico, mas a população pode contribuir não deixando água parada e não jogando lixo em córregos e bueiros. “É importante, também, a colaboração da população para evitar água parada dentro de casa e exposição de objetos que podem contribuir para a proliferação de mosquitos”, ressaltou a Prefeitura em nota. 

No ambiente privado, a indicação é fechar as janelas no fim da tarde - uma vez que o Culex possui hábitos noturnos- e voltar a abri-las à noite. Além disso, o uso de repelente pode ajudar a evitar as picadas. “O uso deve ser conforme descrito pelo fabricante. Lembrando que o repelente não é um inseticida que irá matar o pernilongo, então é importante deixar a porta aberta para que o pernilongo possa sair. A utilização de outros meios como borra de café ou limão para repelir o inseto não possuem comprovação científica”, explica Fabiano Duarte. Além disso, instalar uma barreira mecânica como telas pode ajudar a espantar os pernilongos. 

Como fazer uma reclamação?

O canal de solicitação da Prefeitura de São Paulo é o Portal de Atendimento 156. O cidadão pode requerer o serviço de duas formas: pela aba "Serviços" ou em "Todos os serviços". Primeiramente, é preciso navegar por tema, assunto e serviço e consultar as informações específicas da Carta de Serviços (documento disponível no portal com informações sobre os serviços da prefeitura).

Quando o portal for um dos canais de abertura, basta clicar em "Solicitar". Ao fazer isso, o cidadão será convidado a se cadastrar ou, se já estiver cadastrado, a preencher os dados de acesso. Caso o serviço permita a solicitação anônima, essa etapa poderá ser dispensada. Se o portal não for um canal de abertura, a Carta informará em quais canais a solicitação poderá ser feita.

Além do portal, há o atendimento telefônico 24h para solicitações, reclamações e dúvidas sobre diversos assuntos relacionados à cidade de São Paulo. Se o solicitante estiver na capital paulista, pode ligar 156 (somente para telefones fixos, celulares DDD 11 e celulares de outros Estados, com a função roaming ativada). Caso esteja em um município dentro da Grande São Paulo, é preciso discar 0800-011-0156 (somente para telefones fixos e celulares DDD 11). Se o cidadão não estiver na cidade de São Paulo e não tiver acesso a um telefone DDD 11, deve procurar o chat de atendimento do Portal de Atendimento SP 156.  

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