Marcello Casal Jr./Agência Brasil
Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Comissões de Meio Ambiente no Congresso avaliam mudança climática como 'alarmante' e 'extrema'

Deputada Carla Zambelli (PSL) e senador Jaques Wagner (PT), presidentes das comissões de meio ambiente das respectivas Casas Legislativas, reagiram à divulgação do IPCC, da ONU, nesta segunda-feira

Lauriberto Pomoeu e André Borges, O Estado de S.Paulo

09 de agosto de 2021 | 19h50

A deputada Carla Zambelli (PSL-SP) e o senador Jaques Wagner (PT-BA), presidentes das comissões de meio ambiente das respectivas Casas Legislativas, comentaram nesta segunda-feira, 9, sobre a gravidade das informações indicadas pelo Painel Intergovernamental sobre o Clima (IPCC), da ONU, que apontaram que o ritmo do aquecimento global está mais acelerado que o imaginado.

A Terra está esquentando mais rápido do que era previsto e se prepara para atingir 1,5ºC acima do nível pré-industrial já na década de 2030, dez anos antes do que era esperado. Com isso, haverá eventos climáticos extremos em maior frequência, como enchentes e ondas de calor, indica o relatório da ONU.

"Essa elevação de temperatura poderia causar fenômenos climáticos extremos, como inundações, ondas de calor e secas", declarou Carla Zambelli, que é aliada do presidente Jair Bolsonaro. "Uma eventual catástrofe climática não afetaria apenas a produção de alimentos do Brasil", disse a parlamentar.

A diminuição nas emissões de dióxido de carbono (CO2) e outros gases de efeito estufa pode limitar as ameaças dessas mudanças climáticas. Caso contrário, alguns dos efeitos diretos para países como o Brasil serão secas mais frequentes e a queda na capacidade de produção de alimentos.

Zambelli afirmou que o colegiado que preside na Câmara planeja fazer audiências públicas sobre o aquecimento global e levar propostas à Conferência do Clima. Uma delas faz a regulamentação do mercado de carbono, no qual países com excesso de emissão podem comprar créditos de países com baixa emissão. A deputada do PSL é a relatora do texto.

"Esse é o tema (aquecimento global) que levará os dirigentes mundiais a se reunirem na Conferência do Clima (COP-26) em Glasgow, na Escócia, em novembro. Tal assunto também vem sendo objeto de debate da comissão com audiências públicas já requeridas", declarou a deputada.

A posição dela contraria o discurso que o governo tem feito sobre o meio ambiente e inclusive falas antigas da própria deputada. Antes de chegar ao comando do colegiado, Zambelli sempre negou o aquecimento global. Aliada do Poder Executivo, ela agora quer aproveitar a posição para ajudar o governo a melhorar sua imagem internacionalmente.

O senador Jaques Wagner, do principal partido de oposição a Bolsonaro, se posicionou sobre o tema no Twitter. O presidente da Comissão de Meio Ambiente do Senado cobrou uma ação do governo e o acusou de continuar "de costas" para o problema.

"O novo relatório do IPCC traz notícias alarmantes e mostra um cenário preocupante. Precisamos nos atentar e agir! O planeta está gritando. O Meio Ambiente é pauta obrigatória, mas, para nossa tristeza, o governo federal continua de costas", declarou o petista.

Na gestão Bolsonaro, o número de focos de incêndios em regiões como Amazônia, Pantanal e Cerrado disparou.

Em 2020, o Cerrado brasileiro, assim como o Pantanal, registraram as piores queimadas já captadas pelos satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), órgão do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações.

Movimento alerta para urgência no combate às alterações climáticas

A Coalizão Brasil, Clima, Florestas e Agricultura, movimento formado por mais de 280 representantes destes setores, afirmou que o relatório da ONU "deixa claro que nunca foi tão urgente combater as mudanças climáticas" e que o País precisa se reposicionar sobre o assunto. 

"O Brasil pode sair do lugar dos maiores emissores para se tornar líder nas soluções climáticas baseadas na natureza. Temos as características necessárias para ampliar oferta de alimento, produtos florestais (madeireiros e não madeireiros), gerar emprego e renda e mais inclusão nas atividades de uso da terra, em escala nunca dantes vista", diz Rachel Biderman, co-facilitadora da Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura. "É preciso reverter nossa rota, eliminando desmatamento e outros crimes ambientais, incrementando fortemente a agricultura de baixo carbono e promovendo restauração florestal em larga escala, o que depende de compromissos firmes de nossos governos, empresas e comunidades, e injeção financeira compatível." 

Biderman destacou ainda que, sem o apoio do Brasil, as metas climáticas mundiais estarão comprometidas. "Vivemos o equivalente a uma revolução industrial e, se perdermos essa janela de oportunidade, ficará impossível alcançar os países desenvolvidos. Sem a contribuição do Brasil, o mundo não atingirá no tempo preciso a solução para o desafio climático. Aumentar ambição de nossa contribuição (NDC) do Brasil é mais que urgente."

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