Comissão internacional propõe retomada da caça comercial às baleias

Países que têm tradição nessa indústria teriam cotas rígidas estabelecidas por dez anos

Associated Press

23 Abril 2010 | 14h11

A Comissão Baleeira Internacional (CBI) propôs permitir a caça de baleias para fins comerciais por meio de cotas estritas, trazendo o mundo um passo mais perto das primeiras caçadas comerciais legalizadas em quase 25 anos.

 

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A proposta, liberada na noite de quinta-feira, permitiria que Japão, Noruega e Islândia - que caçam baleias sob uma série de exceções à moratória adotada em 1986 - capturem baleias por dez anos, mas sob um sistema de cotas que reduziria de fato o total morto.

 

A proposta elimina as exceções, que incluem caça para fins científicos, e simplesmente autoriza os países que já praticam a caça a realizá-la, mas sob controles estritos. 

 

Manifestantes protestam na Nova Zelândia contra plano de aurtorizar caça. Mark Mitchell/AP

 

A cota adotada unilateralmente pelo Japão, de 935 baleias minke antárticas a cada ano, cairia para 400 ao longo dos próximos cinco anos, para 200 nos cinco subsequentes.  A cota de 320 baleias capturas em águas próximas ao arquipélago japonês cairia para 210.

 

A proposta é uma tentativa de compromisso entre os países que apoiam a caça e os que a condenam, como Estados Unidos e Austrália. A comissão argumenta que autorizar a caçada sob cotas controladas seria um avanço sobre as caçadas atuais, que ocorrem sem supervisão. Diversos povos indígenas que tradicionalmente caçam baleias poderiam continuar a fazê-lo em pequenas quantidades.

 

A CBI está se preparando para uma reunião geral em junho no Marrocos, onde a proposta será debatida.

Grupos ambientalistas criticaram a proposta, que segundo eles pode levar a uma retomada das caçadas em larga escala do passado, e que levaram várias espécies de baleias à beira da extinção.

 

"No momento, parece que as baleias, e não os baleeiros, estão fazendo todas as concessões, e esta proposta mantém viva a indústria baleeira moribunda, não as baleias", disse o diretor do Greenpeace japonês, Junichi Sato.

A despeito da moratória de 1986 à caça, o Japão mata baleias alegando razões científicas. A carne que sobra dos estudos é vendida para consumo humano, e críticos dizem que o programa científico é apenas uma fachada para caçadas comerciais. Noruega e Islândia também desafiam a proibição, sob outros pretextos. Juntos, os três países abatem anualmente um máximo de 3.000 baleias, dez vezes mais que o número de 1993.

 

A nova proposta, feita pelo presidente da comissão, sugere cotas específicas de caça, divididas por espécie e por território. 

 

Autoridades japonesas demonstraram um apoio cauteloso à ideia. "Uma cota de caça de baleias minke em águas japonesas é nosso desejo há tempos, e no quadro proposto pelo presidente, esse desejo pode ser realizado", disse o representante da Agência de Pesca, Toshinori Uoya.

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