Comissão de Caça às Baleias adia questões controversas

Decisão cria comitê para superação de diferenças e significa que polêmicas não serão enfrentadas no encontro

AP

24 Junho 2008 | 19h10

Um impasse entre países pró e contra a caça às baleias levou a Comissão Internacional de Caça às Baleias a adiar as questões mais controversas de sua agenda nesta terça-feira, 24, e concordar em formar um comitê para a superação das diferenças, provavelmente no próximo ano.   Veja também: Mudança climática vai extinguir 30% do habitat das baleias Comissão de Caça às Baleias adia questões controversas  Chile declara banida caça às baleias em suas águas   O presidente da comissão, William Hogarth, chamou o acordo de "um passo a frente" para as 81 nações da organização, cujas reuniões anuais têm sido atrapalhadas por impasses pouco importantes entre países como o Japão, a favor da caça, e outros que defendem maiores restrições.   O Japão alertou na segunda-feira, 23, que poderia reduzir sua participação - inclusive financeiramente - na Comissão, dizendo que sua situação atual era "disfuncional".   Representantes disseram que o acordo pede um grupo de trabalho de 20 países para tentar chegar a um consenso nas questões mais difíceis. Eles não têm prazo de conclusão, mas espera-se que preparem um relatório para a conferência do ano que vem em Madeira, Portugal.   O chefe da delegação chilena, Christian Maquieira, um dos promotores do acordo , disse que ele significa que nenhuma proposta controversa vai ser votada durante a conferência atual. "Esse é um acordo de cavalheiros" que deve ser formalizado logo, disse.   Um teste será ver se a Dinamarca se abstém de propor um aumento na cota de baleias permitidas aos pescadores na Groenlândia.   Outras questões que provavelmente ficarão congeladas incluem um plano para direitos na costa japonesa e um pedido por impedimentos de caça no Atlântico Sul.   Maquieira disse que o acordo servirá para "fortalecer o uso do consenso e reduzir o uso dos votos como um instrumento político."   Ele sublinhou que a comissão ficou em um impasse no qual "o Japão fez suas propostas e perdeu, países contra a caça fizeram as suas e perderam, porque nenhum dos lados tinha três quartos dos votos" necessários para a aprovação.   Representantes japoneses sugeriram na segunda-feira, 23, que revisariam "a maneira como se envolvem na comissão."   O porta-voz da delegação, Glenn Inwood, disse nesta terça-feira, 24, que não foi uma ameaça de deixar o grupo, mas disse que o Japão poderia reduzir sua participação na comissão e cortar a quantidade de dinheiro que fornece.   Ele disse que o Japão acredita que "uma mudança definitiva entre as atitudes dos membros da comissão é necessária."   "É necessário respeitar os países que caçam e sua maneira de viver", acrescentou.   A comissão impôs uma moratória da caça às baleias em 1986, mas o Japão continuou matando cerca de mil baleias por ano sob a cota que permite a caça para fins científicos. Oponentes dizem que o fim real da caça japonesa é comercial.   A Noruega e a Islândia também mantiveram a caça ativa.

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