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Milton Nascimento dubla 'dinossauro da ONU' em alerta sobre clima: 'Não escolha a extinção'

Dinossauro criado por imagens de computador aparece em vídeo para advertir dos riscos de extinção da espécie humana. Pesquisa da Pnud mostra investimento de US$ 423 bilhões em combustíveis fósseis por ano

Luiz Henrique Gomes, especial para o Estadão

28 de outubro de 2021 | 13h46

Um dinossauro irrompe a sede das Nações Unidas durante a Assembleia Geral e surpreende a todos. Em seguida, pede um minuto da palavra e faz um discurso de alerta para os humanos que estão ali: “Não escolha a extinção. Salve sua espécie antes que seja tarde demais”. É com este vídeo que a Organização das Nações Unidas (ONU) iniciou a campanha mundial “Não Escolha a Extinção” (Don’t Choose extinction, em inglês). No Brasil, o cantor Milton Nascimento empresta a voz ao animal pré-histórico na versão em português.

A campanha, elaborada pelo Programa da ONU para o Desenvolvimento (Pnud), chama a atenção dos riscos da espécie humana ser extinta pela questão climática. E nada melhor que uma espécie extinta para fazer o alerta. “Nós, pelo menos, tivemos um asteroide. Qual é a desculpa de vocês?”, diz o dinossauro Frankie, um personagem gerado por computador para a campanha.

Assista ao vídeo da campanha da ONU em português


Em seguida, o discurso do dinossauro aponta as contradições entre a crise climática e os investimentos anuais dos governos em combustíveis fósseis. De acordo com uma pesquisa lançada pelo Pnud como parte da campanha, US$ 423 bilhões (equivalentes a R$ 2,38 trilhões na cotação atual do dólar) são gastos anualmente no mundo neste tipo de combustível. “É como se estivessem investindo em asteroides que vem na nossa direção”, continua o personagem da campanha.

Segundo a ONU, o valor gasto com combustíveis fósseis é equivalente à quantia necessária para fornecer vacinas contra a covid-19 para todas as pessoas do mundo e três vezes mais do que o valor anual necessário para erradicar a pobreza extrema. Além disso, o investimento neste tipo de combustível acelera a ruína de cidades costeiras, a destruição agrícola e o aumento de doenças causadas por desastres e poluição.

Segundo a ONU, apesar da discussão em torno da questão climática ter ganhado força na última década, cerca de 36% da população mundial ainda acredita que não se trata de uma emergência. A organização traz o alerta de que isso precisa mudar logo, porque as consequências já são perceptíveis. Nos últimos sete anos, o mundo registrou as temperaturas mais altas da história.

A notícia positiva é que poderemos reverter a crise climática se o mundo começar a agir agora, alterando políticas e investimentos. Mas, como Frankie alerta no seu discurso perante os líderes mundiais atônitos, se não lidarmos com isso agora, vai ser tarde demais. Escolheremos a extinção.

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