Bruno Batista/Vice-presidência da República
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Com recordes de desmatamento, Salles recebe medalha dos Bombeiros por 'notáveis serviços'

Estragos ocorridos no Pantanal neste ano são os piores de toda a série histórica, que começou a ser medida em 1998; ministro do Meio Ambiente defende a adoção de 'boi bombeiro'

André Borges, O Estado de S.Paulo

09 de dezembro de 2020 | 09h53

Brasília – Ministro do Meio Ambiente do governo recordista em índices de queimadas em todo o País, Ricardo Salles recebeu nesta quarta-feira, 8, uma medalha concedida pelo Corpo de Bombeiros do Distrito Federal, por  “notáveis serviços” prestados à sociedade.

A Comenda da Ordem do Mérito Bombeiro Militar do Distrito Federal Imperador Dom Pedro II foi entregue em solenidade no auditório José Nilton, na sede da corporação, em Brasília. A medalha é dada a militares, autoridades e civis que tenham se destacado no exercício da função.

Segundo o governo do DF, a honraria foi criada em 8 dezembro de 2003, para comemorar a data de nascimento de Dom Pedro II, que fundou o Corpo de Bombeiros, em 1856. A entrega da medalha ocorreu na semana passada.

As queimadas ocorridas no Pantanal, neste ano, são as piores de toda a série histórica, que começou a ser medida em 1998. Salles defende a adoção do "boi bombeiro" para reduzir as queimadas. 

Em outubro, o ministro do Meio Ambiente eximiu o governo de culpa pela disparada das queimadas no Pantanal e defendeu a criação de gado na região para reduzir a “massa orgânica”. A tese, rejeitada por todos os estudiosos do assunto por não ter nenhuma evidência científica, é incentivada pelo presidente Jair Bolsonaro.

“Fogo lá no Pantanal. No passado, a gente podia deixar o boi comer o capim acumulado, agora não pode mais. Então, acumula uma massa vegetal morta muito grande e, quando vem o fogo, incendeia e o negócio é uma barbaridade. É o boi-bombeiro. Quando fala, é galhofa. O pessoal que nunca pisou no capim falando mal do produtor rural”, afirmou Bolsonaro, no mês passado, ao conversar com apoiadores em frente ao Palácio da Alvorada.

Os índices de desmatamento também experimentam recordes na Amazônia. Neste ano, tiveram alta de 9,5% no último ano e voltaram a atingir a maior taxa desde 2008 – o que já tinha ocorrido no ano passado. Entre agosto de 2019 e julho deste ano, a devastação da floresta alcançou 11.088 km², ante os 10.129 km² registrados nos 12 meses anteriores. A área devastada nesse último ano equivale a 7,2 vezes a da cidade de São Paulo.

Essa é a estimativa do Prodes – o sistema do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que fornece a taxa oficial do desmatamento da Amazônia no período de um ano – divulgada nesta segunda-feira, 30, durante visita do vice-presidente, Hamilton Mourão, e do ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, ao Inpe. Os dados consolidados serão apresentados no primeiro semestre do ano que vem.

Com essa taxa, o País também deixa oficialmente de cumprir a principal meta da Política Nacional de Mudanças Climáticas, de 2010, que estabelecia, em lei, que o desmatamento neste ano seria de, no máximo, 3,9 mil km².

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