Com metas atuais, emissão de CO2 dobrará até 2040, diz estudo

Mundo se encaminha para um aquecimento médio acima de 3 graus Celsius até 2100, segundo consultoria Ecofys

Reuters,

04 Dezembro 2009 | 09h13

As emissões globais de gases do efeito estufa vão quase dobrar até 2040, em comparação aos níveis de 1990, com base nas atuais metas de redução anunciadas pelos países, disse nesta quinta-feira, 3, a consultoria climática Ecofys.

 

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O cálculo se baseia nos compromissos assumidos pelos governos antes da reunião climática dos dias 7 a 14 deste mês em Copenhague. Pela avaliação da Ecofys, o mundo se encaminha para um aquecimento médio bem acima de 3 graus Celsius até 2100.

 

"As promessas sobre a mesa não irão parar o crescimento das emissões antes de 2040, quanto menos 2015, conforme indica o IPCC (painel científico da ONU), e estão longe de reduzir à metade as emissões até 2050, conforme foi proposto pelo G8 (bloco de países industrializados)", disse Niklas Hohne, diretor de políticas energéticas e climáticas da Ecofys.

 

China, Índia, Brasil e África do Sul manifestaram nesta semana sua oposição às metas de reduzirem pela metade as emissões globais até 2050 e limitar o aquecimento a 2C acima dos níveis pré-industriais, disseram diplomatas europeus na quarta-feira. Esses países temem que metas globais ambiciosas afetem seu crescimento, e acham que os países ricos deveriam agir primeiro.

 

De acordo com o Ecofys, levando em conta a promessa anunciada pelos EUA e outros países, as emissões das nações desenvolvidas devem chegar em 2020 a um nível entre 13% e 19% inferior ao de 1990. Mas o uso de créditos florestais pode reduzir essa cifra em 5%.

 

A Rússia ofereceu em novembro reduzir suas emissões até 2020 em 22% a 25% abaixo dos níveis de 1990. Os EUA prometem um corte de aproximadamente 3%. Em 2007, o IPCC propôs uma redução de 25% a 40% nas emissões até 2020, sempre em relação a 1990.

 

Hahne lamentou a falta de metas concretas para as emissões da aviação e navegação marítima, que devem dobrar até 2020 e quase quadruplicar até 2050 em relação a 1990. "A partir desses números, há pelo menos uma chance em quatro de superar o aquecimento de 4C", disse ele.

 

A Ecofys, a Climate Analytics e o Instituto Potsdam para a Pesquisa do Impacto Climático desenvolveram o chamado "Monitor da Ação Climática", que acompanha as promessas e ações de cada país.

 

O índice revela que Noruega, Japão e Brasil são os países com as metas anunciadas mais ambiciosos. Se a União Europeia se comprometer a um corte de 30% no período 1990-2020, será considerado um esforço "suficiente." Os Estados Unidos estão na metade de baixo da escala.

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