Informação para você ler, ouvir, assistir, dialogar e compartilhar!
Tenha acesso ilimitado
por R$0,30/dia!
(no plano anual de R$ 99,90)
R$ 0,30/DIA ASSINAR
No plano anual de R$ 99,90
Alex Ribeiro/ Agência Pará Notícias
Alex Ribeiro/ Agência Pará Notícias

Com governo pressionado sobre Amazônia, Mourão publica plano de redução de desmate

Meta é atingir média registrada entre 2016 e 2020, quando taxas de perda florestal foram altas; entidade ambiental critica documento

Emilly Behnke, O Estado de S.Paulo

14 de abril de 2021 | 17h35

BRASÍLIA - O vice-presidente Hamilton Mourão publicou no Diário Oficial da União nesta quarta-feira, 14, o Plano Amazônia 2021/2022, sobre as metas de redução do desmatamento na região amazônica. Em fevereiro, Mourão, que preside o Conselho Nacional da Amazônia Legal, já havia antecipado que o foco do plano seria intensificar a fiscalização em 11 municípios da região com as taxas mais altas de desmate. Após o aumento das taxas de destruição da floresta, a política ambiental da gestão Jair Bolsonaro tem sido alvo de críticas no Brasil e no exterior. 

O plano formaliza uma meta de redução do desmate e das queimadas ilegais aos níveis médios registrados entre 2016 e 2020 (foi de 8.718,6 km2) pelo Prodes, sistema do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), órgão ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia. A meta, contudo, foi criticada pela rede Observatório do Clima, que a considerou baixa ante os índices recordes de desmatamento do ano passado. Segundo o observatório, que reúne mais de 50 organizações da sociedade civil, caso a meta seja atingida, a taxa de desmate ainda seria 16% maior do que a registrada antes de Bolsonaro assumir o governo. 

O plano traz as diretrizes para a continuidade do combate aos crimes ambientais, com retirada dos militares da região com o fim da Operação Verde Brasil 2, marcada para 30 de abril. Já os órgãos de fiscalização ligados ao Ministério do Meio Ambiente, como Ibama e ICMBio, sofrem há anos com problemas estruturais e cortes de orçamento. 

A divulgação do documento ocorre às vésperas da realização da Cúpula dos Líderes sobre o Clima, organizada pelo governo americano. Além de Bolsonaro, mais 39 líderes mundiais foram convidados pela gestão Joe Biden para o encontro, nos dias 22 e 23 de abril. Mourão informou ter elaborado documento que será encaminhado ao presidente sobre os principais pontos relacionados à política ambiental brasileira e à Amazônia. Mourão disse que não deve participar de nenhuma reunião prévia ao evento.

"Apenas fiz um documento com alguns pontos que consideramos importantes que estejam no discurso do presidente e estou encaminhando para o presidente", disse. Mourão também negou que haja pressão do governo Biden. Segundo ele, o Planalto tem "mantido o diálogo aberto" com os EUA.  

Na semana passada, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, disse em entrevista exclusiva ao Estadão que consegue reduzir a devastação da Amazônia em até 40% em 12 meses se receber US$ 1 bilhão dos americanos. O ministro disse ainda que o plano deve ser apresentado a Joe Biden no encontro do dia 22. Se não houver o auxílio imediato, disse o titular da pasta, seria difícil estabelecer uma meta.

Na manhã desta quarta, em conversa com jornalistas ao chegar ao Palácio do Planalto, Mourão reconheceu a piora nos números do desmatamento em março. "Tivemos um mês de março ruim, apesar do acumulado de agosto (de 2020) até agora estar com 19% de redução. E onde é que está acontecendo? Naqueles municípios selecionados, exatamente", disse. "Então, estamos pressionando para que o pessoal que está em campo seja mais efetivo na fiscalização", citou.

Segundo o vice-presidente, a contratação de agentes temporários para intensificar a fiscalização segue no radar, mas depende das negociações do Orçamento de 2021. "Vou fazer reunião agora quinta-feira com os ministros dos ministérios que estão na linha de frente desse combate para ver os problemas que eles estão enfrentando, e tem essa questão de contratação, que neste momento que estamos vivendo, está complicado, mas vamos ter que arrumar uma solução para isso", afirmou.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.