Lourival Sant'Anna/Estadão
Lourival Sant'Anna/Estadão

Com desmatamento da Amazônia em alta, Ibama muda vigilância

Monitoramento atual não diferencia perda de vegetação de fogo ou espelhos d’água

Ricardo Della Coletta, O Estado de S. Paulo

07 Novembro 2014 | 22h06

BRASÍLIA - Dois meses depois de dados do sistema Prodes, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), terem indicado o aumento do desmatamento na Amazônia após quatro anos consecutivos de queda, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) anunciou medidas que estão em desenvolvimento para melhorar o monitoramento da região. 

Os presidentes do Ibama, Volney Zanardi, e do Inpe, Leonel Fernando Perondi, detalharam nesta sexta-feira, 7, os planos para a atualização do sistema Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter). Em operação há dez anos, ele elabora mapas diários com base em imagens de satélites e aponta áreas com indícios de desmatamento. 


O problema, dizem os dirigentes, é que o Deter tem baixíssima resolução e é “míope”, de modo que muitas das manchas de degradação identificadas não representam necessariamente extração de madeira - podem ser espelhos d’água, incêndios ou afloramentos rochosos. 

O objetivo do Ibama é colocar em operação em até dois anos o sensor Awifs, com imagens de melhor resolução feitas por um satélite indiano. A ideia é que o sensor atualizado torne a ação mais eficiente e evite o desperdício de recursos.

Dados escondidos. À imprensa, Zanardi ainda negou que o instituto tenha segurado dados negativos do desflorestamento para beneficiar a campanha da presidente Dilma Rousseff. Nesta sexta, o site do jornal Folha de S.Paulo publicou reportagem segundo a qual foram desmatados 1.626 km² na Amazônia em agosto e setembro, aumento de 122% sobre o mesmo período de 2013. Os dados do Deter teriam ficado prontos antes do segundo turno. 

Segundo Zanardi, as informações oficiais serão divulgadas ainda neste mês. Mas o levantamento anterior do sistema Prodes já revelou crescimento dos índices de perda de vegetação. Ainda conforme o presidente do Ibama, a expectativa do instituto é de que o número que será anunciado seja igual ou menor do que o de 2013. 

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