Jader Paes/Agência Pará
Jader Paes/Agência Pará

Com avanço de mancha, Pará e Espírito Santo já monitoram praias

No Estado do Norte, governo encontrou vestígios de óleo, mas descarta ser o mesmo que já atingiu 200 pontos do Nordeste

Gilberto Amendola, O Estado de S. Paulo, Felipe Goldenberg e Milena Teixeira,, especiais para o Estado

22 de outubro de 2019 | 08h00

SÃO PAULO - Com o avanço da mancha de óleo por todo o Nordeste, Espírito Santo e Pará intensificaram o monitoramento de suas praias na tentativa de rastrear uma eventual chegada do poluente a outras regiões. O governo paraense chegou a encontrar vestígios de óleo em uma praia no nordeste do Estado, mas descarta ser o mesmo que já atingiu pelo menos 200 pontos da costa brasileira desde o início de setembro. 

No Pará, o óleo foi achado na Praia de Beja, na cidade de Abaetetuba. O governo concluiu ser um material diferente do que foi visto no Nordeste após sobrevoo de helicóptero por cerca de 360 quilômetros nesta segunda-feira, 21, em que não foi vista nenhuma mancha em alto-mar.

Conforme a Secretaria Estadual de Meio Ambiente, para que o óleo atingisse Beja, precisaria vir com a maré do Maranhão e percorrer toda a costa atlântica antes de chegar a Abaetetuba.

No Rio Gurupi, na divisa entre Pará e Maranhão, também não foi encontrado óleo. Segundo a pasta, a hipótese mais provável é que tenha sido o resultado de um vazamento de uma embarcação no local. O óleo está sendo analisado para que o tipo de barco seja conhecido.

Para Entender

Entenda o vazamento de petróleo nas praias do Nordeste

Óleo se espalha pelos 9 Estados da região. O poluente foi identificado em uma faixa de mais de 2 mil quilômetros da costa brasileira

Embora o óleo não seja o mesmo do Nordeste, o governo do Pará garante que está monitorando a situação nos outros Estados. 

Governo capixaba já montou comitê de crise

Após o óleo surgir em mais praias do litoral baiano, o governo do Espírito Santo entrou em estado de atenção nesta segunda e fez nova reunião com órgãos ambientais federais, como Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), além da Capitania dos Portos, para discutir um plano de emergência.

A preocupação do governo capixaba é que as correntes marítimas se movimentem em direção ao Estado, o que poderia levar o resíduo para o Sudeste. A Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos de Espírito Santo informou que o Comitê de Preparação da Crise, em parceria com Marinha, Ibama e ICMBio, vai discutir "ações preventivas", mas não detalhou as medidas.

Ainda de acordo com o governo capixaba, será marcada reunião com as prefeituras de Conceição da Barra, São Mateus e Linhares - na divisa com a Bahia - para "unificação de informações e de ações preventivas".

Até agora, duas praias baianas foram atingidas nas cidades de Itacaré: Itacarezinho e Tiritica, conforme a Marinha. O órgão diz ainda que pelo menos 1,5 kg de óleo foi retirado do local. Já em Ilhéus, foram retirados 2 kg de material petrolífero das Praias de Acuípe, Cururupe e Olivença e Sirihyba, segundo o vice-prefeito da cidade, José Nazal (Rede). 

"Não teve muito óleo, mas o pessoal que surfa na praia encontrou, sim. Pelo menos dois quilos foram retirados de lá", disse.

A Marinha não confirmou essa informação. 

UFRJ tenta descobrir se poluente vai chegar ao Rio

Enquanto o Espírito Santo se previne para a chegada da mancha, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) tenta descobrir a origem do óleo. Conforme o pesquisador Luiz Paulo Assad, essa informação é essencial para prever a quantidade e a velocidade do material que se movimenta pelo oceano - assim, seria possível prever se a mancha também chegará à costa fluminense.

O pesquisador explica que não é possível observar a mancha em alto-mar porque ela está na "subsuperfície", ou seja, de 0 a 10 metros abaixo d’água.

"Só conseguimos enxergá-lo quando chega próximo à costa", afirmou. "Os ventos e os movimentos hidrodinâmicos podem propiciar que a mancha chegue, sim, mais para baixo (Sudeste), mas não é possível afirmar com certeza", disse Assad.

Questionada, a prefeitura do Rio afirmou que "entrará em contato" com o Estado para monitorar a situação. Já o Instituto Estadual de Meio Ambiente disse, em nota, que o Ibama informou não ter sido identificada nesta segunda nenhuma mancha com chance de chegar ao Rio e que o monitoramento está mantido.

O órgão ambiental estadual disse ainda ter um Plano de Contingência Institucional, que abrange o cenário de surgimento de óleo em praias, e que se encontra no estágio de vigilância. 

Procurado, o Ibama não se manifestou nesta segunda.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.