Coleta seletiva em São Paulo dá novo rumo a resíduos recicláveis

Reportagem finalista do 2.º Prêmio Tetra Pak de Jornalismo Ambiental

O Estado de S. Paulo

22 Agosto 2014 | 17h13

Fernanda Ferreira Nunes, 21 anos (Universidade São Judas/SP)*

A cidade de São Paulo produz, em média, 18 mil toneladas de lixo todos os dias. Destes, quase 99% seguem para aterros sanitários, sem passar por algum tipo de reciclagem. Em 2003, com a criação do Programa de Coleta Seletiva no município, 1,8% dos resíduos passaram a ter novo destino.

Em março, no segundo ano de sua gestão, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT) prometeu ampliar o programa de coleta seletiva. Até o final de 2016, serão quatro centrais de reciclagem. Inaugurada no começo do mês, a 1ª Central Mecanizada de Triagem Ponte Pequena vai empregar 50 cooperados e processará 250 toneladas de resíduos recicláveis todos os dias. Por ano, serão 80 mil toneladas. Com o projeto, a Prefeitura estima aumentar a reciclagem na cidade em 10%.

Desenvolvimento social. Paralelo ao trabalho da Prefeitura, a Cooperativa Crescer, localizada em Pirituba, zona norte da cidade, além de desenvolver programas de coleta seletiva, contribui para a cidadania. Desde 2006, a associação desenvolve projetos de reciclagem com foco em melhoria na vida de pessoas que vivem em situação de risco.

"Nosso programa de coleta seletiva dá valor social aos cooperados, incentiva a renda e diminui os impactos ambientais causados pelo lixo descartado de maneira incorreta", conta Cristiana Zaina, uma das coordenadoras da Cooperativa. Até a fundação, mais de oito toneladas de materiais foram triados. Todo mês, a associação capacita os cooperados e o material separado vai para as 20 empresas parceiras da Cooperativa.

Maria Audie Oliveira de Mello é uma das sócias cooperadas. Há seis anos na associação, hoje sua função é encarregada administrativa. "Eu ponho o pessoal para trabalhar, comando e organizo a equipe dos caminhões", diz. Antes da Cooperativa, Maria Audie já fez de tudo um pouco, desde trabalhar em lanchonetes até em ônibus. "Adoro o que faço aqui, porque ajudo a deixar a cidade limpa. É meu sustento e minha forma de contribuir com a natureza".

Segundo dados da Autoridade Municipal de Limpeza Urbana (Amlurb), São Paulo conta com 22 cooperativas de reciclagem em todas as regiões da capital. "As centrais vão gerar emprego e renda para os catadores, que estarão incluídos no mercado de trabalho. Será um ganho tanto do ponto de vista econômico quanto ambiental", afirma Simão Pedro, presidente da Amlurb.

No Brasil, um dos materiais mais reciclados é o alumínio. Comumente encontrado na forma de latas, o País é o campeão de reciclagem: 97,6% do material descartado são reaproveitados, segundo dados da Associação Brasileira de Alumínio (Abal). Em seguida vem as embalagens PET, com 58,9% do material reutilizado.

Na Cooperativa Crescer, 27 sócios cooperados trabalham na reciclagem. No projeto da Prefeitura, só nas empresas parceiras, 3450 coletores garantem o recolhimento de lixo das casas. "São pessoas trabalhando com lixo e protegendo o meio ambiente. É algo muito importante para o futuro no planeta e temos o maior orgulho", afirma Maria Audie.

*finalista do 2.º Prêmio Tetra Pak de Jornalismo Ambiental

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