Cogumelos selvagens e carne de rena

Chefs se reúnem no ‘Cook it Raw’ para tentar novos pratos com ingredientes coletados da natureza

Afra Balazina e Andrea Vialli,

06 Outubro 2010 | 15h42

A terceira edição do evento gastronômico Cook it Raw (Cozinhe Cru, em tradução livre), realizada em agosto na Lapônia, extremo norte da Escandinávia, colocou chefs de cozinha de renome internacional para coletar cogumelos selvagens e preparar pratos à base de carne de rena.

 

O evento, criado em 2009 às vésperas da Conferência do Clima de Copenhague (COP-15), impõe um desafio aos chefs participantes: voltar aos ingredientes selvagens e cozinhar com o menor impacto ambiental possível, com mínimo consumo de energia ou fontes alternativas.

 

O brasileiro Alex Atala, dono dos restaurantes D.O.M. e Dalva e Dito, em São Paulo, embarcou na empreitada. De Helsinque, na Finlândia, viajou mais 14 horas de trem, até ficar bem perto do Polo Norte. “O Cook It Raw vem se transformando em um dos eventos mais importantes da gastronomia mundial, pois coloca questionamentos e dificuldades no dia a dia dos chefs. Não é fácil sair de nossos ambientes, sem equipamentos nem ajudantes, e usar uma nova cozinha e um novo lugar sem conhecer os ingredientes”, disse o chef.

 

Morte

 

Atala explica que o evento não é um festival de comida crua, embora o nome possa aludir a isso. “O cru é um conceito que nos traz muita reflexão. Falamos de cru não no sentido de não cozido, mas no sentido de ter a menor interferência possível. Fazer uma cozinha com menor impacto ambiental também é gastar o mínimo de energia. Também é afrontar a morte.”

 

Ele explica que, nas três edições do evento – as anteriores foram realizadas em Collio, na Itália, e em Copenhague, na Dinamarca –, chefs tiveram de ver os animais que utilizariam em suas receitas, como porcos, renas e galinhas, sendo abatidos sob seus olhos.

 

“Isso cria uma questão ética, de como a gente se relaciona com o fato de um ser vivo perder a vida para alimentar outro”, contou o chef. “Muitas vezes nos parece selvagem assistir à morte de um animal, mas é importante lembrar que nossas avós e bisavós, com a sua meiguice e doçura, faziam isso de forma cotidiana.”

 

O retorno às origens da culinária, sem a onipresença da indústria de alimentos, é outro princípio da sustentabilidade na gastronomia, além do apelo para que espécies hoje consumidas pela humanidade não sejam extintas.

 

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