Código Florestal: Rossi prevê vitória apesar de 'ameaça de radicais'

Sem nominar quem seriam os radicais, ministro sinalizou para a atuação de organizações internacionais que apoiam entidades ambientalistas brasileiras contrárias à aprovação do projeto

Gustavo Porto, Agência Estado

02 Maio 2011 | 14h40

RIBEIRÃO PRETO - O ministro da Agricultura, Wagner Rossi, afirmou nesta segunda-feira, 2, que "alguns poucos radicais" ainda ameaçam o consenso do governo para a votação do projeto que altera o Código Florestal Brasileiro, prevista para entre terça-feira, 3, e quarta-feira, 4, mas projetou vitória na aprovação do tema. "Vamos ganhar porque soubemos construir um consenso necessário no governo; alguns poucos radicais queriam mudar o acordo neste fim de semana, mas isso não foi possível", disse o ministro, durante a abertura da Agrishow.

 

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Sem nominar quem seriam os radicais, Rossi sinalizou para a atuação de organizações internacionais que apoiam entidades ambientalistas brasileiras contrárias à aprovação do projeto. "É só ler o que está sendo discutido para saber que o projeto atenderá tanto agricultores como ambientalistas; mas quem critica certamente não sabe ler português", afirmou o ministro.

 

Rossi fez questão de acabar com qualquer rusga com a ministra Izabella Teixeira, do Meio Ambiente, em relação ao projeto. "Nós formamos um consenso, sob a batuta do ministro (da Casa Civil) Palocci em praticamente tudo o que foi sugerido ao deputado Aldo Rebello (PC do B-SP, relator do projeto) e há uma posição de que qualquer ponto de discordância será apreciado em separado na votação", afirmou.

 

Durante o discurso na cerimônia de abertura da feira, em Ribeirão Preto, o ministro fez uma defesa aberta pela aprovação do projeto para a agricultura. "O Brasil não pode matar a agricultura, que é a galinha dos ovos de ouro", disse. O ministro declarou ainda que seguirá amanhã para Brasília (DF), logo após abrir a ExpoZebu,em Uberaba (MG), para as últimas negociações sobre o projeto, cuja votação em plenário é esperada para quarta-feira.

 

Além de Rossi, a senadora Kátia Abreu (DEM-TO), presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), criticou possíveis mudanças feitas de última hora no projeto considerado "consolidado" por ela. "Não podemos permitir que isso ocorra, pois até agora todas as 60 mudanças feitas no Código Florestal foram a partir de uma caneta só, a do presidente", disse. "Pela primeira vez o Congresso, que tem a legitimidade dos eleitores, poderá avaliar essa questão", completou.

 

Apoio - Até mesmo o ministro da Agricultura da Argentina, Julián Domínguez, que integra a comitiva de ministros da América do Sul na visita à Agrishow, defendeu a aprovação do projeto. Segundo ele, "os países que integram o Conselho Agropecuário do Sul (CAS) têm um compromisso de produzir e preservar o meio ambiente para agregar valor aos produtos", afirmou. "Prova disso é que nossa região foi a que menos degradou o meio ambiente nos últimos 60 anos", concluiu.

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