CNI pede que Copenhague respeite direito ao desenvolvimento

Indústria brasileira defende que os países desenvolvidos devem liderar a redução de emissão do carbono

Efe,

13 Novembro 2009 | 16h47

A indústria brasileira anunciou nesta sexta-feira, 13, que pedirá à Conferência da ONU sobre a Mudança Climática, que será realizada em dezembro em Copenhague, na Suiça, para que leve em conta "o direito ao desenvolvimento das nações" e respeite o princípio de responsabilidades comuns diferenciadas. Este ponto de vista foi expressado em entrevista coletiva em São Paulo pelo gerente-executivo da Confederação Nacional de Indústria (CNI), Augusto Jucá, que aproveitou para convocar os países desenvolvidos a assumirem uma posição de liderança na reunião.

 

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Segundo Jucá, "ninguém quer" que as reduções de gases poluentes produzam um desenvolvimento "menos pujante". "Queremos dar uma vida melhor aos cidadãos. O que é preciso fazer é criar empregos limpos. Essa transformação é o grande desafio", afirmou.

 

O representante da CNI insistiu em destacar a matriz energética limpa do Brasil - quase 46% da energia brasileira vem de fontes renováveis - e apontou que a indústria contribui apenas com 8,8% à emissão total de gases causadores do efeito estufa (gases estufa). "As grandes indústrias brasileiras, inclusive forçadas pelos bancos, pelo financiamento e pelas seguradoras, e até pela exigência do consumidor, já estão encarando seriamente a mudança climática", disse Jucá.

 

Países desenvolvidos

 

No documento, os industriais consideram que "os países desenvolvidos devem se comprometer com a oferta de financiamento adicional e em condições adequadas" com as ações destinadas a reduzir as emissões adotadas pelos não desenvolvidos.

 

Segundo Jucá, a questão que está sendo levada para a cúpula é a mudança da matriz energética mundial rumo ao desenvolvimento sustentável. "Para nós, é uma grande oportunidade, porque partimos de um patrimônio ambiental muito maior", acrescentou.

 

Jucá também apontou que, junto à "matriz limpa" e a "um potencial muito grande em bioenergia", cerca de 60% das emissões de gases estufa no Brasil são oriundas do desmatamento da Amazônia e de queimadas.

 

Além disso, o gerente-executivo da CNI criticou o que chamou de "protecionismo climático". "Misturar clima e comércio seria um erro", já que "não se adianta nem a agenda climática, nem o comércio internacional, que é uma grande vantagem", disse.

 

"Um caso típico é o do etanol, já que não pode ser considerado justo que sua entrada seja impedida em qualquer mercado porque é uma forma de reduzir emissões em outro país", explicou Jucá, em referência à chamada "taxa de ajuste na fronteira".

 

A Conferência da ONU sobre a Mudança Climática será realizada em Copenhague e começa no dia 7 de dezembro e termina no dia 18.

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