CMN confirma R$ 2 bi para agricultura de baixo carbono

Programa inclui plantio direto na palha, fixação biológica de nitrogênio, recuperação de pastagens degradadas e integração lavoura-pecuária-florestas

17 de agosto de 2010 | 20h38

O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou nesta terça-feira a instituição do Programa Agricultura de Baixo Carbono (ABC). Serão R$ 2 bilhões em créditos para a atividade, sendo R$ 1 bilhão operado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o restante pelo Banco do Brasil.

 

As boas novas foram divulgadas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). “O BNDES irá enviar circular com as regras da linha de crédito para os agentes financeiros que vão operar os recursos”, afirma o diretor de Economia Agrícola do MAPA, Wilson Araújo. A expectativa do ministério é que até o início de setembro os recursos estejam disponíveis para o produtor rural. O Banco do Brasil contrata o financiamento diretamente por meio de suas agências.

 

O programa ABC faz parte das ações do Plano Agrícola e Pecuário 2010/2011 e foi instituído para incentivar o uso de técnicas sustentáveis que tragam mais eficiência ao campo e permitam a redução da emissão dos gases de efeito estufa.

 

“O Brasil não está abdicando de seu crescimento como grande operador de commodities no mercado internacional, mas preocupando-se em manter o equilíbrio ambiental e o bem-estar social e econômico da população”, afirmou o secretário-executivo do ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Gerardo Fontelles.

 

Para formar multiplicadores do Programa, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) organizou o Seminário de Difusão do ABC, que acontece nos dias 17 e 18 na , em Brasília. Participam do encontro cerca de 150 gestores e técnicos do agronegócio, meio ambiente, pesquisa, extensão rural e desenvolvimento agrário de todos os estados brasileiros. 

 

De acordo com o MAPA, o ABC incorpora cinco práticas: plantio direto na palha, fixação biológica de nitrogênio, recuperação de pastagens degradadas e o sistema Integração Lavoura-Pecuária-Florestas (ILPF). Como vantagem de uma delas, o secretário citou o aumento de área do cultivo com a recuperação de pastagens degradadas. “Temos cerca de 200 milhões de hectares para a pecuária. Se aumentarmos em 10% a produtividade nessas áreas, teremos mais 20 milhões de hectares disponíveis para a agricultura”, informou Fontelles.

 

Protocolos de intenção para o aperfeiçoamento e difusão das práticas que reduzam a emissão dos gases de efeito estufa foram assinados pelo secretário-executivo, o presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Pedro Arraes, e entidades representativas do plantio direto na palha, florestas plantadas e fixação biológica de nitrogênio.

 

Pedro Arraes lembrou que o ABC consolida as metas negociadas pelo Brasil em 2009, na Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP15), dando oportunidade ao País de ser a agricultura mais verde do mundo. “O Brasil vai vender a âncora verde de sua agricultura. Isso abre negócios, aumenta a renda para os agricultores e melhora as condições ambientais”, ressaltou. Para Arraes, a agricultura ambientalmente correta só traz benefícios para a sociedade e para a economia, já que o País poderá aumentar as exportações para mercados que valorizam a sustentabilidade.

 

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