Clima pode fazer com que 25 mi de crianças passem fome

'Drama pode ser evitado com investimento de US$ 9 bi para aumentar produtividade agrícola', disse especialista

Efe,

30 Setembro 2009 | 14h58

Cerca de 25 milhões de crianças sofrerão de fome em um prazo de quatro décadas devido à escassez de alimentos que será causada pelo aumento das temperaturas, advertiu nesta quarta-feira, 30, o Instituto Internacional de Pesquisa de Política Alimentar (IFPRI, em inglês), na reunião sobre mudança climática da ONU realizada em Bangcoc.

 

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"Este drama pode ser evitado com um investimento de US$ 9 bilhões anuais para aumentar a produtividade agrícola e ajudar os produtores enfrentar os efeitos do aquecimento global", afirmou Gerald Nelson, um dos autores do relatório do IFPRI.

 

"Melhores estradas, sistemas de irrigação, acesso a água potável e escolarização para meninas são essenciais", acrescentou Nelson, dentro da conferência sobre mudança climática realizada em Bangcoc para preparar a cúpula de Copenhague, em dezembro.

 

O estudo afirma que os habitantes nos países em desenvolvimento terão acesso a 2,41 mil calorias diárias em 2050, 286 calorias a menos que em 2000. Na África, será de 392 calorias a menos e, nos países industrializados, de 250 calorias abaixo.

 

No ano passado, o aumento do preço dos alimentos básicos perante as notícias de escassez de produção provocou revoltas populares em várias partes do mundo, do Egito à Tailândia, e a ONU decidiu realizar uma reunião urgente.

 

Os líderes do Grupo dos Vinte (G20, os países ricos e os principais emergentes) decidiram na semana passada, em Pittsburg (EUA), doar US$ 2 bilhões para combater a fome, enquanto a ONU anunciou uma cúpula sobre o problema em novembro.

 

No fim de semana passado, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, pressionou o Banco Mundial e outras instituições multilaterais a aumentar suas contribuições aos países pobres, em um momento no qual "ainda mais pessoas não têm acesso a alimentos, porque os preços são inacreditavelmente altos devido à crise econômica ou à falta de chuvas".

 

Nelson disse que as crises alimentares do ano passado, quando as informações de escassez de alimentos básicos geraram protestos em vários países pobres e emergentes, foi uma chamada de atenção.

 

Etiópia, Quênia, Somália e Uganda sofrem um aumento dos preços dos alimentos por causa de colheitas ruins e secas, porque há áreas do planeta que mostram sinais de vulnerabilidade à mudança climática e estão mudando seus ciclos de chuvas, segundo o IFPRI.

 

"A população da Terra será 50% maior que a atual em 2050 (...), os desafios serão enormes até sem mudança climática", acrescentou o pesquisador.

 

Para Lester Brown, fundador do Instituto de Políticas da Terra, a alimentação também é o assunto mais preocupante da mudança climática, e advertiu que a Ásia está no epicentro da crise.

 

Por um lado, cerca de 2,5 bilhões de pessoas ou cerca da metade da população economicamente ativa nos países ricos dependiam da agricultura para seu sustento, segundo dados correspondentes a 2005.

 

E por outro lado, 75% dos pobres de todo o mundo moram nas áreas rurais, as mais vulneráveis às alterações climáticas.

 

"Se continuarmos fazendo as coisas como fizemos até agora, estaremos garantindo, com toda certeza, consequências desastrosas", advertiu Nelson.

 

Cerca de 4 mil delegados de 179 países participam da conferência de Bangcoc, que começou na segunda-feira e que terminará em 9 de outubro.

 

As conquistas e obstáculos de Bangcoc passarão à reunião que será realizada em Barcelona (Espanha) em novembro, para que se prepare e feche a agenda da cúpula sobre mudança climática de Copenhague.

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