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Clima há 3 milhões de anos confirma previsões do IPCC

Estudo mostra que, no período Piloceno, temperatura subia em até 4,5ºC cada vez que dobravam os níveis de CO2 na atmosfera

FÁBIO DE CASTRO, O Estado de S. Paulo

04 Fevereiro 2015 | 20h34

A partir da análise dos níveis de CO2 presentes na atmosfera milhões de anos atrás, um grupo de cientistas confirmou as previsões recentes feitas pelo  Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) sobre a conexão entre os níveis de dióxido de carbono e o aquecimento do planeta. Publicado na edição desta quarta-feira, 4, da revista Nature, o novo estudo foi liderado por pesquisadores da Universidade de Southampton (Reino Unido). 

Os autores analisaram novos registros sobre o conteúdo de CO2 presente na atmosfera durante o período Piloceno, entre 2,3 milhões e 3,3 milhões de anos atrás. Na época, as emissões de CO2 - que tinham origem em processos naturais - estavam crescendo continuamente, como acontece hoje com as emissões provenientes de atividades humanas.

O estudo mostrou que o clima da Terra no Piloceno era 2ºC mais quente que o atual, enquanto os níveis de carbono atmosférico eram os mesmos de hoje.

De acordo com os autores, o clima da Terra está atualmente se ajustando ao rápido aumento das emissões. Ao estudar os níveis de carbono atmosférico do Piloceno, segundo eles,  é possível compreender em que medida determinada quantidade de CO2 interferiu, no passado, na temperatura do planeta - e a partir daí estimar como as emissões atuais deverão influenciar as mudanças climáticas no futuro.

Assim, com base nos registros do Piloceno, os cientistas constataram que as previsões do IPCC para o futuro estavam corretas: a temperatura global sobe de 1,5ºC a 4,5ºC a cada vez que dobram as quantidades de CO2 atmosférico. De acordo com um dos autores, Gavin Foster, a relação entre carbono atmosférico e o aquecimento global verificada no passado corroboram as estimativas feitas no último relatório do IPCC. "Isso sugere que a comunidade científica tem uma boa compreensão de como será o clima, à medida que nos aproximamos de um futuro mais quente, com condições semelhantes às do Piloceno, mas causadas por gases de efeito estufa de origem humana", disse Foster.

Segundo os autores, o estudo também revela uma mudança importante, há cerca de 2,8 milhões de anos, quando os níveis de carbono atmosférico caíram rapidamente para valores próximos de 280 partes por milhão - uma situação semelhante à que existia antes da revolução industrial. De acordo com eles, essa diminuição dos níveis de CO2 causou um dramático resfriamento global, dando início aos ciclos de glaciação que dominaram o clima da Terra a partir de então.

Os pesquisadores também avaliaram se a relação entre carbono atmosférico e aumento da temperatura era diferente em épocas quentes - como o Piloceno - e em épocas frias, como os ciclos glaciais dos últimos 800 mil anos. Eles descobriram que, nos períodos frios, as mudanças climáticas respondem bem mais às mudanças nos níveis de CO2 que em períodos quentes: nas eras frias, o aumento da temperatura causado pelo carbono é o dobro que nas eras quentes. "Acreditamos que essa diferença se deve ao crescimento e retração dos grandes mantos de gelo sobre os continentes, que estão presentes nos climas da idade do gelo. Esses mantos de gelo refletem muita luz solar e seu crescimento amplifica o impacto das mudanças provocadas pelo CO2", declarou Foster.

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