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DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO
A pesquisa aponta que o iFood realizou nada menos que 48 milhões de entregas por mês em 2020 DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO

Clientes de iFood e UberEats são contra uso de plástico e querem mudanças

Pesquisa diz que 72% dos consumidores gostariam de entrega de comida via delivery sem plástico descartável; 15% já deixaram de fazer pedido por discordarem de receber pedido com talheres, copos ou sachês

André Borges, O Estado de S.Paulo

09 de abril de 2021 | 10h00
Atualizado 09 de abril de 2021 | 15h09

BRASÍLIA – O crescimento vertiginoso de serviços de entrega de comida por aplicativos como iFood e Uber Eats trouxe, sobre suas motos e bicicletas, um problema monumental para o meio ambiente: a produção de bilhões de itens de plástico descartável, material que não é reciclável e que acaba indo para o lixo comum. O problema já incomoda muitos consumidores que usam o serviço e já levou parte deles a, inclusive, deixar de pedir a comida, por causa do volume de plástico gerado em qualquer refeição que se peça.

Essa insatisfação acaba de ser medida por uma pesquisa contratada pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e pela organização Oceana. O Estadão teve acesso exclusivo ao levantamento, que foi feito pela IPEC Inteligência em Pesquisa e Consultoria, que entrevistou mil usuários desses serviços, via internet, entre os dias 6 e 14 de março.

Ao serem questionados sobre o tema, 72% dos consumidores responderam que gostariam de receber pedidos de delivery de comida sem plástico descartável, ou seja, com algum tipo de embalagem que fosse biodegradável e não agredisse o meio ambiente. O plástico usado em embalagens de comida é um produto de baixa qualidade para ser reciclado, porque está praticamente no fim de sua “vida útil” e não tem valor comercial. Ou seja: vai direto para o meio ambiente, com a maior parte indo parar nos oceanos.

Entre os entrevistados, 15% declararam que já deixaram de solicitar o serviço por se sentirem incomodados com a quantidade de plástico que recebem, como talheres, pratos, copos, sachês, canudos e mexedores, itens que, na maioria das vezes, sequer foram solicitados pelo comprador, mas que são enviados automaticamente, sem questionar, antes, se a pessoa quer realmente receber aquilo.

Para a maioria dos consumidores (86%), as empresas de aplicativo têm tanta ou mais responsabilidade que os restaurantes em entregas livres de plástico descartável e, por isso, deveriam se unir aos comércios para oferecerem alternativas de embalagem. Uma parcela de 30% declarou que os apps têm papel fundamental nessa mudança de hábito.

De cada cem entrevistados, 88 disseram que não gostariam de receber algum item de plástico em seus pedidos de delivery. Os itens que a maioria dos consumidores não quer receber são canudos e mexedores de bebidas (53%); talheres, como garfos, facas, colheres (52%); e copos de plástico (47%).

Lara Iwanicki, gerente da campanha de plásticos na Oceana, disse que a organização, ao lado do programa da ONU, negocia uma iniciativa com os apps de comida, para que ofereçam, efetivamente, outras alternativas de embalagens e incentivem a redução de plástico pelos restaurantes. “A pesquisa mostra que o consumidor quer atitudes efetivas dessas empresas, mudanças que tragam resultado, e já há exemplos disso no mundo. Em Cingapura, por exemplo, foi feito acordo com a WWF e a indústria de delivery, pedindo a redução de plástico. Essa iniciativa terá potencial de reduzir um milhão de itens de plástico por semana em Cingapura”, diz Iwanicki.

Uma ação imediata, por exemplo, comenta Vitor Leal Pinheiro, coordenador da campanha Mares Limpos no Pnuma, é exigir, sempre, que o consumidor tenha de apontar, em cada compra, qual o item não deseja receber em sua casa, em vez de ter uma opção padrão já configurada. “Já há mecanismos para que os restaurantes ofereçam a escolha ou não dois itens. Mais do que isso, esses aplicativos precisam assumir parte da responsabilidade que têm nesse processo. O usuário está cobrando isso”, afirma Pinheiro.

Dos mil entrevistados, 74% declararam utilizar o iFood para fazer pedidos de comida. Outros 31% citaram o Uber Eats e 26% mencionaram apps dos próprios restaurantes. A pesquisa aponta que o iFood realizou nada menos que 48 milhões de entregas por mês em 2020. Considere uma média de cinco itens de plástico por pedido, e chega-se a 250 milhões de itens lançados no meio ambiente, todo mês.

O aumento dos pedidos de entrega também ampliou o consumo de itens descartáveis. O Brasil produz anualmente 3 milhões de toneladas de plásticos de uso único, ou seja, sem nenhum retorno. Desse total, 13% são produtos como pratos, copos, talheres, sacos plásticos e canudos. Isso equivale a 200 bilhões de itens descartáveis por ano.

Nota do Uber Eats

Após a publicação desta reportagem, o Uber Eats informou que lançou, em fevereiro de 2019, um recurso que permite aos usuários dispensarem o recebimento de talheres descartáveis, guardanapos e canudos. “O recurso chegou primeiro ao Brasil e ao Chile e, após a experiência bem sucedida, com 93,7% dos restaurantes participantes no país extremamente satisfeitos, a iniciativa foi estendida para todos os empreendimentos cadastrados na plataforma, em todo o mundo” declarou a empresa.

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Pressionado, iFood promete zerar uso de plástico até 2025

Pimeiro passo, segundo empresa, tem sido apresentar opções no app para incentivar consumidores a terem hábitos baseados em menos consumo de plástico, oferecendo a escolha de receberem ou não talheres plásticos e outros itens descartáveis

André Borges, O Estado de S.Paulo

09 de abril de 2021 | 10h00

BRASÍLIA – Responsável por sete em cada dez pedidos de comida feitos hoje no Brasil por meio de aplicativos, o iFood promete acabar com o uso de embalagens de plástico por restaurantes que utilizam sua plataforma até 2025. Questionado pelo Estadão sobre a preocupação de usuários do serviço com o volume de plástico que recebem e a percepção de que a empresa também é responsável pela produção desse lixo – e não só os restaurantes –, a companhia declarou que tem tomado iniciativas para zerar o uso de plásticos nos próximos quatro anos.

“O iFood está comprometido com a poluição zero de plástico por meio de suas operações até 2025. Para cumprir sua meta, a empresa conta com diversas iniciativas, dentre elas, a pesquisa e desenvolvimento em embalagens sustentáveis e em cooperativas de reciclagem para ampliar sua capacidade produtiva e melhorar a renda dos cooperados”, declarou a empresa.

A Uber Eats foi procurada pela reportagem, mas não se manifestou sobre o assunto. Em dezembro, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e organização Oceana lançaram a campanha #DeLivreDePlástico, para cobrar o iFood e a Uber Eats em relação a medidas de redução de uso do material nas entregas. Originalmente, essas empresas não são as provedoras de embalagens, mas podem adotar medidas que centralizem a venda de alternativas mais sustentáveis, além de estimular e priorizar esse tipo de produto.

“Com tanto lucro, e se beneficiando desse cenário, é inaceitável que essas empresas façam tão pouco em retorno”, comenta Lara Iwanicki, gerente da campanha de plásticos na Oceana. Ao Estadão, o iFood declarou que, "à medida que amadurece como empresa, aumenta também a sua responsabilidade com a sociedade e a certeza de que crescimento e medidas para regenerar impactos socioambientais precisam andar lado a lado”.

O primeiro passo dado, segundo a empresa, tem sido apresentar opções no app para incentivar consumidores a terem hábitos baseados em menos consumo de plástico, oferecendo a escolha de receberem ou não talheres plásticos e outros itens descartáveis. "Essas iniciativas contribuem para a redução do consumo de itens plásticos, que muitas vezes, são enviados sem serem solicitados e acabam indo para o lixo sem utilização. Nos primeiros testes feitos, 90% dos consumidores utilizaram o recurso, o que resultou na redução de dezenas de milhares de talheres e mostra o desejo do usuário em receber menos resíduos nas suas casas”, informou a companhia.

Foi criado ainda “um selo para reconhecer as boas práticas ambientais dos restaurantes cadastrados no iFood”, que será ampliado nos próximos meses. Uma campanha, batizada de “iFood Regenera”, pretende incentivar o desenvolvimento de embalagens feitas de matérias-primas de fontes renováveis como, por exemplo, o papel.

“Queremos transformar toda a cadeia de fornecimento de embalagens sem plástico no Brasil. Fomentando a cadeia nacional, da produção até a comercialização e logística, oferecendo assim, um preço competitivo às indústrias que já existem, mas não possuem escala de produção e demanda”, declarou a empresa.

O serviço de aplicativo iFood afirmou ainda que prevê “investimento nas cooperativas de reciclagem no País serão peças centrais para atingir as metas de compromisso da empresa”, o que inclui investimentos em estruturas e maquinários dessas cooperativas. A reportagem questionou sobre valores previstos, mas a companhia informou que não pode abrir essas informações. A construção de uma nova central de “triagem semi-mecanizada”, em São Paulo, está prevista para ocorrer este ano.

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