Cientistas fazem apelo por ação contra aquecimento

Manifesto lançado em Bali pede medidas imediatas para evitar mudanças climáticas.

Eric Brücher Camara, BBC

07 de dezembro de 2007 | 07h00

Um grupo de cientistas, entre eles integrantes do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), lançou nesta quinta-feira, na conferência sobre mudanças climáticas da Organização das Nações Unidas (ONU) em Bali, na Indonésia, um apelo aos negociadores para cortar as emissões de gases do efeito estufa pela metade até 2050, de forma a garantir que nos próximos 10 a 15 anos elas atinjam um pico e comecem a cair. De acordo com o documento, batizado de "Declaração de Bali sobre o Clima por Cientistas", são necessárias medidas imediatas, a partir da reunião que termina no dia 14 de dezembro, para evitar que "milhões de pessoas fiquem sob risco de ondas de calor, secas, enchentes e tormentas, com cidades e litorais ameaçados pela elevação do nível do oceano e muitos ecossistemas, espécies de animais e plantas sob sério perigo de extinção". "Para os negociadores do clima cumprirem o seu trabalho, eles precisam se dar conta do que a ciência do clima lhes diz: a mudança climática é real e urgente e requer forte ação agora. Não há tempo para procrastinar", disse em Bali o professor Richard Sommerville, um dos mais respeitados meteorologistas do mundo. Ao lado de Sommerville, alguns dos cientistas mais reconhecidos em pesquisas sobre mudança climática assinam a dura mensagem, endereçada diretamente aos mais de 190 países que participam do encontro da ONU na Indonésia. "O mundo pode ter apenas 10 anos para começar a inverter a atual tendência de crescimento das emissões", afirma o documento divulgado nesta quinta-feira.O objetivo dos mais de 200 cientistas que assinaram o manifesto é forçar os negociadores a chegar a um acordo que vise a evitar o aumento de 2 graus na temperatura global, como indicam as evidências científicas ratificadas pelo próprio IPCC. "Entre 1970 e 2004 houve um aumento de 80% na concentração de CO2. As soluções já existem, mas não há varinha de condão. É preciso agir agora", disse o cientista australiano Matthew England, um dos idealizadores do documento. O manifesto repercutiu positivamente entre outros integrantes da comunidade científica e ganhou aplausos de outra associação, a União dos Cientistas Preocupados (UCS, na sigla em inglês)."Tanto os países em desenvolvimento quanto os industrializados precisam fazer cortes robustos, e os Estados Unidos precisam cortar emissões pelo menos 80% abaixo dos níveis de 2000 até o ano 2050", afirmou o coordenador do programa de Mudança Climática da UCS, Peter Frumhoff, que assinou um estudo que identifica a necessidade destes cortes nas emissões americanas para que a média de aquecimento global não ultrapasse os dois graus. Desde segunda-feira, negociadores de governos de todo o mundo estão reunidos em Bali para tentar fechar um plano de ação para que nos próximos dois anos seja possível apresentar aos líderes mundiais um projeto de acordo que substitua o Protocolo de Kyoto, que vigora atualmente. O acordo assinado em 1997 prevê o corte de 5,2% das emissões dos gases do efeito estufa em relação aos níveis registrados em 1990 e vence em 2012.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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