Cientistas condenam plano de Bush para energia nuclear

O plano prevê que um pequeno grupo de nações abasteça outros países com combustível nuclear

Associated Press,

29 de outubro de 2007 | 19h26

Um comitê da Academia Nacional de Ciências dos EUA pediu que o presidente George W. Bush abandone um plano ambicioso para a retomada do reprocessamento de lixo nuclear, que está no centro da iniciativa do governo para expandir os usos civis da energia atômica nos Estados Unidos.   O comitê, de 17 membros, disse que a Parceria Global de Energia Nuclear (GNEP) não foi analisada de forma adequada pela comunidade científica e se apóia em tecnologias de reprocessamento que ou não foram comprovadas ou não estarão prontas no prazo previsto pela administração federal americana.   O relatório, divulgado nesta segunda-feira, 29, afirma que a pesquisa para a GNEP está consumindo verbas e desviando esforços de outros programas sobre energia nuclear.   "Todos os membros do comitê concordam que o programa GNEP não deve prosseguir e que deveria ser substituído por um programa de pesquisa menos agressivo", diz o texto, advertindo para "graves riscos técnicos e financeiros" caso o projeto tenha continuidade.   Bush havia anunciado a iniciativa em 2006, e já a citou várias vezes como peça chave nos esforços dos Estados Unidos para lidar com quantidades cada vez maiores de lixo nuclear radioativo e permitir, ao mesmo tempo, a expansão da plataforma nuclear para  a geração de eletricidade.   Internacionalmente, o plano prevê que um pequeno grupo de nações, incluindo EUA e Rússia, abasteça outros países com combustível nuclear e reprocesse o lixo atômico desses países. O Departamento de Energia do governo está preparando uma resposta ao relatório dos cientistas.   O comitê da Academia não comentou as questões de política internacional envolvidas no plano, mas expressou reservas quanto à capacidade do GNEP de resolver o problema nacional de lixo atômico.   O GNEP já foi alvo de críticas de grupos contra a proliferação nuclear e foi mal recebido pelo Congresso americano, que se negou a liberar verbas requisitadas pelo Departamento de Energia.

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