Cientistas alertam para perigos do uso de biocombustíveis

Uso de fertlizantes, desflorestamento e degradação ambiental causados pelas plantações têm de ser analisados

Reuters,

22 Outubro 2009 | 18h48

Uma nova geração de biocombustíveis, que deveria representar uma alternativa de baixa emissão de carbono, irá, na média, emitir mais dióxido de carbono do que a queima da gasolina ao longo das próximas décadas, diz estudo publicado na revista Science.

 

Governos e empresas estão destinando bilhões de dólares em pesquisas para o desenvolvimento de combustíveis avançados feitos de madeira e capim, com o objetivo de cortar as emissões de gases causadores do efeito estufa e evitar a competição com lavouras de alimentos, como ocorre com o combustível derivado de milho.

 

Mas esses biocombustíveis avançados, ou "celulósicos", na verdade levarão a emissões de carbono mais elevadas que a gasolina por unidade de energia produzida, na média do período 2000-2030, determinou o estudo.

 

Isso porque a terra necessária para o plantio das árvores de crescimento rápido e do capim tropical deslocará lavouras de alimentos para áreas hoje ocupadas por florestas, causando desflorestamento, um fenômeno emissor de carbono.

 

Lavouras de biocombustível também requerem fertilizantes nitrogenados, uma fonte de dois gases do efeito estufa: dióxido de carbono e óxido nitroso.

 

"Creio que no curto prazo, não importa como se administre o programa de biocombustíveis celulósicos, haverá emissões de gases do efeito estufa, exacerbando o problema do aquecimento global", disse o principal autor, Jerry Mello, do Laboratório de Biologia Marinha dos Estados Unidos.

 

O grupo de produção de etanol americano Renewable Fuels Association disse que os biocombustíveis são, por definição, neutros em termos de emissão de carbono, porque o gás emitido pelos escapamentos é reabsorvido pelas plantas.

 

Sem que se tomem medidas para proteger florestas e cortar o uso de fertilizantes, a gasolina bate os biocombustíveis no período 2000-2050, também.

 

Outro estudo, também publicado na Science, diz que as Nações Unidas exageraram o poder dos biocombustíveis de reduzir o carbono na atmosfera, num erro copiado pela União Europeia em sua lei de comércio de emissões, ao ignorar o desflorestamento e outras mudanças no uso da terra.

 

"Existe uma pressão constante para a conversão da biomassa do mundo em uma fonte de energia", disse Steve Hamburg, principal cientista do grupo Fundo de Defesa Ambiental e coautor desse segundo artigo.

"Ele então compete com a agricultura, proteção da água, biodiversidade e muitas outras coisas, e isso não traz benefícios para a atmosfera", disse ele.

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