‘Cidades relapsas com o clima terão prejuízo’

Planeta entrevista Ahmed Aboutaleb, prefeito de Roterdã (Holanda)

Alexandre Gonçalves, O Estado de S. Paulo

08 de dezembro de 2010 | 12h35

O prefeito de Roterdã (Holanda), Ahmed Aboutaleb, visitou São Paulo na semana passada e falou ao Estado sobre o C40 – cúpula que reúne administradores de várias cidades para discutir o aquecimento global.

 

O que é o C40?

 

O C40 reúne várias cidades do mundo para combater as mudanças climáticas. A iniciativa acelera o modo como se constroem políticas sobre o clima. As cidades sentem necessidade de agir, não só por razões de saúde pública. Quem não agarrar as oportunidades de desenvolvimento tecnológico trazidas pelas mudanças climáticas vai perder o jogo econômico a longo prazo. Não estamos falando só de clima, saúde ou ar puro: também é uma questão de economia, renda e emprego.

 

Há resultados tangíveis das reuniões anteriores do C40 em Londres (2003), Nova Iorque (2005) e Seul (2009)?

 

Mais que ações concretas, as reuniões geram comprometimento. Cito como exemplo a minha cidade. Temos o compromisso de atuar em várias frentes. Estamos desenvolvendo tecnologia para reunir as emissões de carbono de centrais de energia e fábricas químicas e transportá-las por tubulações para armazená-las em velhos campos de óleo no Mar do Norte. Além disso, geramos mais de 350 megawatts de eletricidade por moinhos de vento, o que corresponde a 50% do consumo da cidade. E estamos investindo o máximo de dinheiro possível para fazer com que toda a energia consumida venha da matriz eólica.

 

Quais são as expectativas para o encontro do C40 em São Paulo, no próximo semestre?

 

São grandes. Poderemos conhecer estratégias usadas em outros lugares do mundo. Entendo os problemas enfrentados por países como China, Índia e Brasil: necessitam crescer para alimentar suas populações e é impossível fazer isso sem aumentar as emissões. Mas convém investir parte dos ganhos no combate ao aquecimento.

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