Cidades europeias planejam combater riscos de aquecimento climático

De acordo com pesquisa, 54% das cidades enxergam os riscos que correm como severos ou muito severos

Nina Chestney, Reuters

28 Junho 2012 | 16h10

LONDRES - Cidades europeias estão planejando se adaptar à mudança climática conforme os riscos se tornam mais severos, mostrou nesta quinta-feira um relatório da organização de medição de emissões Carbon Disclosure Project (CDP) e a empresa de consultoria Accenture.

As cidades estão tendo que planejar cada vez mais defesas contra enchentes, modos de lidar com a água em épocas de seca, garantir que novos edifícios forneçam resfriamento natural aos ocupantes e adaptar prédios e infraestruturas antigos para serem mais eficientes em energia.

O relatório pesquisou 22 cidades europeias, incluindo Amsterdã, Berlim, Istambul, Londres, Manchester, Moscou, Paris e Roma, sobre as suas emissões de gases e estratégias de mudança climática.

O resultado foi publicado menos de uma semana depois que uma cúpula da Organização das Nações Unidas no Rio de Janeiro, a Rio+20, fracassou em definir metas claras de desenvolvimento sustentável e deixou muitas pessoas convencidas de que os governos locais e as empresas terão de liderar os esforços para melhorar o meio ambiente.

A pesquisa descobriu que 17 das 22 cidades europeias estudadas, ou 77 por cento, completaram ou quase completaram as avaliações de risco para entender como a mudança climática vai afetá-las.

Dezoito das 22 cidades europeias disseram que enfrentam "riscos significativos" da mudança climática, e 54 por cento delas enxergam esses riscos como "severos" ou "muito severos".

Devido a esses riscos, as cidades estão buscando cada vez mais desenvolver planos adaptativos. Catorze cidades europeias, ou 64 por cento das 22 pesquisadas, já têm um plano de adaptação em vigor, enquanto outras duas estão desenvolvendo projetos.

"As cidades europeias estão demonstrando liderança e a melhor prática na gestão da mudança climática em nível local", disse o chefe do programa de cidades do CDP, Conor Riffle.

"O relatório mostra que outras cidades podem se beneficiar implementando estratégias similares, como a medição anual e relato de emissões de gases do efeito estufa".

Emissões

As emissões globais de dióxido de carbono, um dos principais gases que provocam o efeito estufa responsável pelo aquecimento do planeta, atingiram o recorde de alta no ano passado, de acordo com a Agência Internacional de Energia.

Oitenta e seis por cento das cidades europeias analisadas estabeleceram uma meta de redução das emissões, em comparação a uma média global de 70 por cento das cidades, afirmou o CDP.

Baseado nos últimos números fornecidos por quatro cidades ao CDP, as emissões de Londres caíram 3,6 por cento, para 43,4 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente em 2010 com relação a 2008, e as de Copenhague caíram 5,2 por cento, para cerca de 2,5 milhões de toneladas em 2010 com relação a 2009.

As emissões de Berlim subiram 4,1 por cento, para mais de 20,7 milhões de toneladas de emissões de dióxido de carbono em 2008 com relação a 2007, e as de Roterdã cresceram 6 por cento em 2010, para 29,6 milhões de toneladas com relação a 2009.

"O crescimento populacional, a atividade econômica, os padrões meteorológicos e outros fatores que estão fora do controle direto do governo da cidade podem dificultar, se não tornar impossível, mostrar reduções estáveis nas emissões", disse o relatório.

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