DENNY CESARE/ESTADAO
DENNY CESARE/ESTADAO

Cidades ensaiam seu discurso para a COP-26

Capitais como São Paulo, Moscou e Londres debatem itens como frota elétrica e defesa ambiental

Paula Felix, O Estado de S.Paulo

09 de outubro de 2021 | 05h00

Os debates realizados pelos países e que serão foco das discussões na Conferência das Nações Unidas Sobre Mudança Climática, a COP-26, que será realizada no próximo mês em Glasgow, na Escócia, também são tema de ações e projetos de cidades no Brasil e ao redor do mundo.

Frota elétrica de ônibus para redução de gases poluentes, educação ambiental, medidas para proteção de mananciais e saneamento básico estão entre as bandeiras de cidades de diferentes portes e realidades para contribuir para uma meta que se tornou urgente e global. Nesta sexta-feira, 8, a capital paulista encerrou um circuito de debates sobre o tema na primeira edição da pré-COP 26, onde foram ouvidas experiências nacionais e internacionais sobre o tema.

De Moscou, foi apresentada a meta de descontinuar, até 2025, o uso de ônibus que poluem o ambiente. No momento, há 750 ônibus elétricos circulando pela cidade, segundo Anton Kulbachevskiy, chefe do departamento de gestão de recursos naturais e proteção ambiental de Moscou.

Este é um dos objetivos de São Paulo, segundo a secretária Municipal de Relações Internacionais, Marta Suplicy. “Até 2024, estamos trabalhando para 20% da frota ser de ônibus elétricos e já temos um piloto com 18 ônibus. Para São Paulo é fundamental, porque 62% da poluição vem da mobilidade, principalmente de ônibus. Depois, até 2030, queremos chegar a 50% da frota”, completa a ex-prefeita paulistana.

Na avaliação de Marta, São Paulo já se baseia nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs) da ONU em seu plano de metas. A capital, acrescenta, pode se apresentar como um exemplo para outras cidades não só no Brasil, mas no mundo. A capital, ressalta, já trabalha com o projeto de ter mais de 700 escolas com energia solar, proposta que também deve ser adotada em Unidades Básicas de Saúde (UBSs). “Inclusive, estamos estudando a implementação nos prédios públicos e fazer a remodelação do controle da eletricidade.”

Presente virtualmente no evento, a vice-prefeita de Meio Ambiente e Energia de Londres, Shirley Rodrigues, também abordou a importância da frota elétrica e destacou um plano de edifícios com a proposta de “ponto zero quanto à poluição”, que inclui um investimento de 126 milhões de libras.

Secretário municipal de Meio Ambiente do Recife, Carlos Ribeiro abordou a importância de se trabalhar o tema já na primeira infância. “É uma meta formal levar para a educação padrão. A gente vai dar muita força para a educação na primeira infância, no início da formação do cidadão, colocar desde cedo esse amor e a vontade de mudar logo nos primeiros passos.” O trabalho será conduzido de forma lúdica, por meio de jogos e plantio de mudas, e também com a participação dos pais.

Tendência

Professora associada do Departamento de Saúde Ambiental da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP-USP), Gabriela Di Giulio diz que a agenda ambiental tem se tornado uma tendência entre as grandes cidades, que buscam alternativas para contribuir para a redução do problema dentro do que cabe em suas esferas.

“Nos últimos anos, as cidades brasileiras começaram a ficar mais atentas a essa agenda das mudanças climáticas, seja porque os problemas ganham concretude no nível das cidades, no nível local, que a gente vai sentir os impactos, como estiagem, extremos de calor, episódios de chuvas mais intensas, que vai trazer enchentes e alagamentos.”

Ela destaca a importância da participação das metrópoles no processo de redução de impactos. “Nos centros urbanos, o modo de vida urbanizado, que é bastante dependente de combustíveis fósseis, de recursos naturais para atender a todas as necessidades, garantir questões básicas, como segurança alimentar e hídrica, é bastante responsável para a emissão de gases. Por outro lado, as cidades cumprem um papel central para enfrentar várias crises contemporâneas, inclusive a emergência climática, porque podem testar novas tecnologias que podem reduzir os impactos das mudanças climáticas.”

De acordo Gabriela, que estuda a relação entre as cidades e mudanças climáticas, é preciso que os gestores tenham interesse em realizar as ações, pois muitas iniciativas podem ser adotadas pelos municípios. “Investimentos na mobilidade urbana, conservação de biodiversidade, investimentos em arborização, parques e também em infraestrutura azul, com a manutenção de córregod e rios.” Ela cita ainda mapeamento de áreas de risco e de dados climáticos para impactos a longo prazo.

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