Rodrigo Cruz/NYT
Rodrigo Cruz/NYT

Cidade do México inova com jardins verticais

A principal finalidade dos jardins é ajudar a purificar o ar da capital

O Estado de S.Paulo

15 Abril 2012 | 03h06

Uma mistura de obra de arte e instrumento para purificar o poluído ar da capital mexicana: são três jardins verticais, "ecoesculturas" instaladas pela Cidade do México por uma ONG chamada VerdMX.

"A principal prioridade dos jardins verticais é transformar a cidade", disse Fernando Ortiz Monasterio, de 30 anos, arquiteto que os projetou. "É uma maneira de intervir no meio ambiente."

Muitas cidades têm a reputação de verdes. Portland, no Oregon (EUA), tem seus jardins verticais. Mas no mundo em desenvolvimento, a Cidade do México é um admirável mundo novo. O ar da cidade, conhecidamente péssimo, teve uma grande melhora e chegaram ao mesmo nível que o respirado em Los Angeles.

"Tanto Los Angeles como a Cidade do México experimentaram uma melhora, mas na Cidade do México a mudança foi muito maior", disse Luisa Molina, pesquisadora do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), que fez comparações sobre a poluição das cidades. "O México está muito avançado, não só em comparação com a América Latina, mas em relação ao mundo todo. Quando vou à China, todos querem ouvir a história do México."

Em parte, foi graças às políticas adotadas. No início da década de 1980, o governo mexicano baixou decretos para reformular a gasolina, fechar ou transferir fábricas tóxicas e proibir os motoristas de usar seus carros uma vez por semana. Mais recentemente, a cidade implementou um programa de empréstimo de bicicletas grátis e ampliou o sistema de transporte público.

Os ambientalistas estão muito menos impressionados com as estradas com pistas superpostas, em construção. Mas muitos mexicanos mais otimistas criticam os esforços cooperativos, incentivados pelos cidadãos, como o VerdMX.

A Cidade do México se tornou incubadora para esse tipo de grupos que misturam financiamento corporativo com novas ideias. No caso dos jovens, mais ligados às novas tendências, existe uma consciência cívica crescente.

Parte disso pode ser visto no ambiente artístico, onde as preocupações ambientais com frequência coincidem com a expressão criativa. A exuberância que caracterizou Paris ou Nova York nos anos 1920 parece ter chegado às megacidades do "novo mundo" como a Cidade do México. Mas com uma diferença. A Era da Máquina do início do século 1920 deu lugar, para alguns, à Era Verde do início do século 21.

Há jovens arquitetos tentando acabar com estradas e fazer reviver antigos rios. Mulheres jovens ensinando as mais idosas a plantar tomates em jardins entre arranha-céus. Artistas transformando lixo do oceano em críticas ao consumo. E mesmo uma campanha multimídia com imagens de sonho do "México do Futuro" - que incluem as gigantescas esculturas verdes da VerdMX.

O principal desafio parece ser cultural. Gabriela Rodrigues, designer gráfica, disse que encontrar recursos e conseguir autorização do governo leva anos. A Nissan, empresa patrocinadora, teve de ser convencida. / NYT, TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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