Ciclone afetou 1,5 milhão de pessoas em Mianmar, estima ONU

A ONU estimou na quinta-feira que1,5 milhão de pessoas tenham sido "severamente afetadas" pelociclone Nargis em Mianmar, e os Estados Unidos demonstraramindignação com a demora das autoridades em permitir ajuda. Sobreviventes desesperados imploram por comida, água eoutros mantimentos, quase uma semana depois do vendaval e domaremoto que podem ter matado cerca de 100 mil pessoas nosarrozais e aldeias do delta do rio Irrawaddy. "Estamos ultrajados com a demora na reação do governo daBirmânia [Mianmar] em dar as boas-vindas e aceitar aassistência", disse a jornalistas o embaixador dos EstadosUnidos na ONU, Zalmay Khalilzad. "Está claro que a capacidade do governo em lidar com asituação, que é catastrófica, está limitada", acrescentou. O Programa Mundial de Alimentos (da ONU) e a CruzVermelha/Crescente Vermelho disseram que finalmente conseguiramembarcar mantimentos emergenciais, após muita relutância doregime militar birmanês. Os EUA ainda aguardam autorização parainiciar os vôos militares. O governo norte-americano está "totalmente preparado paraajudar e ajudar imediatamente, e será uma tragédia se essesprodutos forem desperdiçados", segundo o secretário de Defesa.Robert Gates. A Marinha despachou o destróier USS Mustin e a ForçaExpedicionária de Ataque Essex, com mais três barcos, do golfoda Tailândia. Testemunhas dizem que praticamente não existe um esforçohumanitário no delta do Irrawaddy, a área mais atingida. "Vamosmorrer de fome se não mandarem nada. Precisamos de comida,água, roupas e abrigo", disse à Reuters o pescador Zaw Win, 32anos, que se esgueirava entre cadáveres flutuantes em busca deum barco para fazer a viagem de duas horas até Bogalay,localidade onde o governo diz terem morrido 10 mil pessoas. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, disse estarbuscando contatos diretos com o líder da junta militar deMianmar, Than Shwe, para convencê-lo a facilitar o acesso. Umaporta-voz da ONU disse que Ban consideraria "prudente" porparte do governo local adiar o referendo constitucional marcadopara sábado. Alguns críticos acusam a junta de adiar as autorizaçõespara evitar um afluxo de estrangeiros no interior do paísdurante o referendo sobre a Constituição, escrita pelo Exércitopara consolidar ainda mais o poder nas mãos dos militares, quejá governam a antiga Birmânia há 46 anos. (Reportagem adicional de Aung Hla tun, em Yangon, NoppornWong-Anan, Grant McCool e Darren Schuettler, em Bancoc, JalilHamid, em Kuala Lumpur, Kerstin Gehmlich, em Berlim, MatthewBigg, em Atlanta, e Claudia Parsons, nas Nações Unidas)

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