Chineses associam frio no norte às mudanças climáticas

Emissões aumentam risco de condições climáticas extremas e tempestades de neve pelos próximos 50 anos

Efe

12 Janeiro 2010 | 11h49

A onda de frio no hemisfério norte, incluindo a China, está relacionada à atividade humana e faz parte das "mudanças climáticas", mesmo que normalmente elas estejam ligadas ao aumento da temperatura e não a uma diminuição, de acordo com um especialista chinês citado nesta terça-feira pelo "China Daily". 

 

De acordo com o geoquímico Yaoqiu Kuang, da estatal Academia Chinesa de Ciências, as mudanças climáticas aumentam o risco de condições meteorológicas extremas, quentes ou frias, incluindo tempestades de neve "durante as próximas cinco décadas". 

 

De acordo com a teoria de Kuang, as atividades humanas (como as emissões de dióxido de carbono por indústrias) a princípio elevam a temperatura da atmosfera nos hemisférios, mas em um certo ponto há perda de calor e o ar desce rapidamente de altura, produzindo frentes frias. Segundo o perito, as atividades humanas que aquecem a atmosfera no hemisfério norte são responsáveis pelas ondas de frio no hemisfério sul e vice-versa. 

 

A China tem sofrido com uma das piores ondas de frio nas últimas décadas, especialmente visível em cidades como Pequim, que este ano teve a queda de neve mais abundantes em 60 anos e a temperatura mais baixa em 40. Regiões como Xinjiang, no noroeste do país, viram os seus termômetros registrarem temperaturas como cerca de 40ºC abaixo de zero, enquanto que os problemas nas redes de transporte e fornecimento de eletricidade forçaram algumas áreas a racionar energia. 

 

Segundo o diretor do Centro Nacional de Meteorologia, Wang Yongguang, a temperatura destes dias no norte da China é de dois a quatro graus abaixo da média, enquanto o sul está entre dois e quatro graus acima. Meteorologistas chineses preveem que a temperatura vai aumentar ligeiramente nos próximos dias, mas o termômetro vai cair no fim de semana. 

 

A China é o maior emissor de dióxido de carbono do planeta, o principal gás que provoca as alterações climáticas. Embora não tenha se comprometido a reduzir suas emissões, prometeu um desenvolvimento mais sustentável e quer diminuir entre 40% e 45% a intensidade de carbono (emissões divididas por unidade do PIB).

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