Arquivo/Reuters
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China terá metas atreladas ao PIB

Governo quer redução de 40% a 45% de emissões de CO2 na área energética, sem prejuízo ao crescimento do país

Cláudia Trevisan, Correspondente de O Estado de S. Paulo

27 Novembro 2009 | 11h48

A China anunciou ontem uma proposta de reduzir em 40% a 45% o crescimento de suas emissões de gases do efeito estufa provenientes do setor energético, atrelada ao crescimento de seu Produto Interno Bruto (PIB). Comparada à de países desenvolvidos, a eficiência energética da China é baixa, o que significa que o país consome mais energia para gerar o mesmo US$ 1 de PIB. Ou seja, há gordura para cortar.

 

Essa gordura é justamente a meta de redução de gases-estufa. O anúncio da China deve dar impulso às negociações da Conferência do Clima, em Copenhague (COP-15), em dezembro. O compromisso de Pequim foi anunciado um dia após os Estados Unidos apresentarem uma meta de redução de emissões de 17% até 2020.

 

A meta será alcançada pela redução da quantidade de energia necessária para sustentar o crescimento da economia e pelo desenvolvimento de fontes limpas de energia. Ela é voluntária e leva em conta as emissões que existiam em 2005 no país. A previsão dos chineses é de que seja alcançada em 2020. A matriz energética da China é baseada principalmente na queima de carvão, um combustível altamente poluente.

 

O compromisso não significa que a quantidade de gases vai diminuir, mas que seu ritmo de aumento será menor. Isso porque a meta de redução das emissões de carbono é inferior ao crescimento esperado do PIB. O porcentual máximo de 45% equivale a uma média anual de corte de 3%. A expansão do PIB chinês deve ficar em torno de 8% ao ano. Os cientistas mais otimistas creem que as emissões chinesas atingirão seu ponto máximo em 2030; depois, começariam a cair. Outros afirmam que a redução só ocorrerá após 2040.

 

A decisão foi adotada em reunião do Conselho de Estado realizada anteontem, sob comando do primeiro-ministro, Wen Jiabao. “É uma ação voluntária do governo chinês, baseada nas suas próprias condições nacionais, e é uma grande contribuição para o esforço global de enfrentamento da mudança climática”, diz a nota oficial.

 

Jiabao também anunciou que irá a Copenhague. Anteontem, o representante chinês para questões climáticas, Yu Qingtai, declarou que Pequim não aceitará uma declaração política vazia como resultado da conferência e buscará um pacto com conteúdo substantivo.

 

“É um compromisso impressionante, sério e muito positivo”, disse ao Estado a diretora para a China do Climate Group, Wu Changhua. Ela crê que a COP-15 ganhou novo impulso. "Todos os grandes números estão na mesa."

 

Yang Ailun, responsável pela área de mudança climática e energia do Greenpeace China, também faz avaliação positiva, apesar de ressaltar que ela poderia ter sido mais ousada. “A meta indica que a China vai continuar seus esforços para combater a mudança climática.”

 

Responsáveis por 40% das emissões globais de gases estufa, China e Estados Unidos são considerados fundamentais para o sucesso da conferência do clima. Wu observou que é difícil comparar as propostas dos dois países, mas disse que os americanos deveriam ser mais ousados, por se tratarem de um país desenvolvido.

 

A proposta dos EUA, na prática, equivale a uma redução de 3% a 6% em relação aos patamares de 1990, a base utilizada no Protocolo de Kyoto.

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