China sela parceria com a UE para reduzir emissão de carbono

União Europeia vai investir € 25 mi e dará assistência para a implementação de projetos na China

Barbara Lewis, Reuters

20 Setembro 2012 | 11h16

BRUXELAS - A China, maior emissor mundial de dióxido de carbono, selou uma parceria com a União Europeia para reduzir as emissões de gases do efeito estufa por meio de projetos que incluem o comércio de créditos para emissões, informou a Comissão Europeia nesta quinta-feira, 20.

A UE e a China têm frequentes atritos por questões climáticas, e Pequim ridicularizou uma lei da UE que taxa as emissões feitas por companhias aéreas europeias.

Ao mesmo tempo, os dois lados mantêm um tenso diálogo, que teve um novo capítulo numa cúpula UE-China nesta semana em Bruxelas.

O comissário (ministro) europeu de Desenvolvimento, Andris Piebalgs, e o ministro chinês do Comércio, Chen Deming, assinaram um acordo de financiamento para estimular a transição "rumo a uma economia de baixo carbono e a redução das emissões de gases do efeito estufa na China", disse a Comissão (poder executivo da UE) em nota.

A Comissão deseja parcerias com outros esquemas de crédito de carbono, a fim de fortalecer o seu próprio mecanismo de créditos, no qual a cotação do carbono tem caído a níveis bem inferiores ao que seria necessário para estimular investimentos em iniciativas "verdes".

No mês passado, UE e Austrália selaram um acordo para vincular seus esquemas de créditos de carbono a partir de 2018.

No caso da China, a União Europeia irá disponibilizar € 25 milhões (US$ 33 milhões de dólares) e assistência técnica durante quatro anos para três projetos de redução de emissões.

Além de ajudar a criar e implementar um esquema chinês de créditos, haverá também assistência para um uso mais eficiente dos recursos nas cidades, para a redução da poluição por metais pesados e para o manejo sustentável de dejetos.

A China já tem esquemas provinciais de créditos de carbono, e não está claro se um futuro esquema nacional irá incluir emissões de viagens aéreas.

A decisão da UE de incluir as companhias aéreas no seu Esquema de Comercialização de Emissões motivou críticas internacionais e a ameaça de uma guerra comercial. Os EUA cogitam medidas para blindar suas companhias aéreas da cobrança, embora até agora tenham respeitado a nova lei europeia. China e Índia descumpriram o prazo para a apresentação de dados, que expirou meses atrás.

Todas as partes esperam que a Organização Internacional da Aviação Civil apresente um esquema alternativo global contra as emissões aéreas. A UE diz que, se isso acontecer, eliminará as suas próprias exigências.

A parceria com a China pode fortalecer a UE na negociação com outros oponentes da sua lei, segundo analistas.

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