China quer mais concessões climáticas de países ricos

A China liderou na terça-feira os apelos dos países em desenvolvimento para que os Estados Unidos, o Japão e a União Europeia se comprometam com cortes mais intensos nas suas emissões de gases-estufa, no segundo dia da conferência climática da ONU em Copenhague.

SUNANDA CREAGH E EMMA GRAHAM-HARRISON, REUTERS

08 Dezembro 2009 | 20h34

No mesmo dia, um novo relatório da Organização Meteorológica Mundial mostrou que a atual década é a mais quente já registrada, ressaltando o alerta feito pelos cientistas com relação ao aquecimento global.

Negociadores de quase 200 países tentam definir as linhas gerais de um futuro tratado climático que tentará minimizar efeitos como secas, inundações, desertificação, ciclones e elevação do nível dos mares, capazes de devastar economias e arruinar a subsistência de milhões de pessoas.

Yvo de Boer, chefe da Agência Climática da ONU, afirmou que a conferência de Copenhague, que vai até o dia 18, teve "um bom começo". A União Europeia elogiou o fato de ninguém ter abandonado as sessões de negociação.

Mas ainda há divergências entre países ricos e pobres a respeito dos cortes nas emissões que os primeiros terão de fazer nas próximas décadas, e das verbas que os segundos receberão para se adaptar à mudança climática e reduzir as suas próprias emissões.

A China e vários outros países em desenvolvimento insistem para que os países ricos tomem a iniciativa fazendo cortes profundos nas suas emissões.

Pequim também fez pouco de um fundo de 10 bilhões de dólares por ano para a ajuda climática aos países pobres, que os países ricos pretendem aprovar para que vigore já em 2010.

Maior emissor global de gases do efeito estufa, a China criticou as metas adotadas por EUA, UE e Japão para reduzir suas emissões até 2020.

O representante chinês Su Wei afirmou que essas metas ficam muito aquém dos cortes recomendados por uma comissão científica da ONU - segundo a qual seria necessário reduzir as emissões em 25 a 40 por cento até 2020, em relação às metas de 1990, para que o mundo evite os piores efeitos do aquecimento.

Su disse que a proposta dos EUA, de reduzir suas emissões até 2020 em 3 por cento em relação aos níveis de 1990, "não pode ser considerada notável". De acordo com ele, o corte oferecido pela UE, de 20 por cento, também é inadequado, enquanto o Japão estaria impondo condições impossíveis para cumprir sua meta de 25 por cento - sempre com relação ao período 1990-2020.

(Reportagem adicional de Gerard Wynn, Alister Doyle, Richard Cowan e John Acher em Copenhague)

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