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China promete plantar florestas e usar energias renováveis

Além da reunião da ONU, o tema do efeito estufa também será tratado em reunião do G20 em Pittsburgh

Associated Press e Reuters,

22 Setembro 2009 | 14h12

Na conferência de mais alto nível já realizada pela ONU para discutir a mudança climática, o governo da China comprometeu-se, nesta terça-feira, 22, a plantar árvores suficientes para cobrir uma área igual à da Noruega e que, dentro de uma década, pelo menos 15% da energia consumida no país virá de fontes renováveis.

 

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O presidente chinês Hu Jintao também prometeu "passos determinados e práticos" para aumentar o uso de energia nuclear, melhorar a eficiência energética e reduzir, "por uma margem notável", a taxa de crescimento das emissões de carbono na comparação com o crescimento da economia.

 

"Em jogo na luta contra o aquecimento global estão os interesses comuns de todo o mundo", disse Hu. "Por conta de um senso de responsabilidade para com seu próprio povo e com os povos do mundo, a China compreende completamente a importância e a urgência de se atacar a mudança climática".

 

Muita atenção foi dada também ao primeiro discurso do presidente dos EUA, Barack Obama, na ONU. Ele disse que seu país está "determinado a agir".

 

"A ameaça da mudança climática é séria, é urgente e está aumentando", disse Obama. "E o tempo para virar a maré está acabando".

 

As ambições mais específicas da China, no entanto, falaram mais alto que a retórica quando o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon,  cobrou de presidentes, primeiros-ministros e outros líderes a "aceleração do passo das negociações e fortalecer a ambição das ofertas" para o novo pacto mundial que terá de ser formado em dezembro,em Copenhague.

 

"O fracasso em atingir um acordo amplo em Copenhague seria moralmente indesculpável, economicamente míope e politicamente pouco inteligente", advertiu. "A ciência exige. A economia mundial requer".

 

A cúpula da ONU desta terça e a reunião do G20 marcada par Pittsburgh, mais para o fim da semana, têm o objetivo de aumentar a pressão sobre os países ricos para que se comprometam, em Copenhague, com cortes obrigatórios nas emissões de gases causadores do efeito estufa a partir de 2013, e para que paguem para que os países mais pobres preservem suas florestas, queimem menos combustíveis fósseis e adaptem-se às condições do clima em mudança.

 

Mas a China e outras economias em rápido desenvolvimento não aceitarão cortes obrigatórios de emissão de gases do efeito estufa. os países em desenvolvimento "não se deve pedir (que os países em desenvolvimento) assumam obrigações além de seu estágio de desenvolvimento", disse Hu.

 

Líderes disseram que, restando apenas três semanas de negociações, a probabilidade aumenta de que o resultado de Copenhague seja algo menos que um tratado pleno.

 

Decepção

 

Ambientalistas mostraram-se desapontados pelas falas de Obama e Hu.

 

"Foi um pouco decepcionante que a china não desse um número para a intensidade de gases causadores do efeito estufa. Esperava que saísse agora", disse Knut Alfsen, chefe de pesquisas do Centro Internacional de Pesquisas de Clima e Energia, de Oslo. "Mas foi um progresso. Há cinco anos, o clima nem era uma questão na China".

 

Ambientalistas atacaram Obama por ter sido muito genérico em seu discurso. "Estamos muito desapontados, mesmo, com o que Obama disse", afirmou o coordenador para clima do Greenpeace Internacional, Thomas Henningsen.

 

"Foi mais um passo para trás que para a frente", acrescentou, destacando que Obama, ao contrário de outros países, noa se comprometeu com nenhuma medida concreta.

 

(Ampliada às 14h59)

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