China 'duvida de sinceridade' de países ricos em Copenhague

Governo chinês considera 'insuficiente' a proposta apresentada pela UE para ajudar países em desenvolvimento

Efe,

11 Dezembro 2009 | 14h42

A China anunciou que "duvida da sinceridade" dos compromissos dos países industrializados sobre a redução de suas emissões de gases causadores do efeito estufa e sobre o financiamento que estão dispostos a proporcionar para a adaptação à mudança climática das nações pobres.

 

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A declaração foi feita nesta sexta-feira, 11, pelo vice-ministro de Assuntos Exteriores chinês, He Yatei, na Cúpula das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP15), realizada em Copenhague até 18 de dezembro.

 

Além disso, considerou "insuficiente" a proposta apresentada pela União Europeia (UE) de fornecer 2,4 bilhões de euro anuais para ajudar os países pobres a atenuarem os efeitos da mudança climática entre 2010 e 2012. "Esse número é insuficiente. Mas este não é o único problema. Para os países desenvolvidos é relativamente fácil dar um número para os próximos três anos. Mas o que faremos depois?", se perguntou.

 

O vice-ministro pediu aos países industrializados que "coloquem sobre a mesa propostas de financiamento no longo prazo. Isso os tornaria mais críveis quando pedirem reduções de emissões de CO2 até 2050", apontou. He ressaltou, além disso, a "responsabilidade histórica e legal" das nações ricas, "causadoras da mudança climática", de contribuir com o financiamento da mitigação do fenômeno nos países em desenvolvimento.

 

Em resposta aos pedidos de que as ajudas não recaiam sobre a China, por causa de seu alto crescimento econômico, insistiu em que a China "é um país em desenvolvimento" e que, portanto, tem o direito de optar por elas, mas que a maior parte desse financiamento deve ser destinada às ilhas do Pacífico, "os países mais vulneráveis".

 

"Isso não quer dizer que estejamos pedindo dinheiro. Com ou sem fundos exteriores, a China cumprirá com sua parte na luta contra a mudança climática", acrescentou.

 

Pequim propôs reduzir em entre 40% e 45% a intensidade energética (emissão de CO2 por unidade de PIB) até 2020 frente aos níveis de 2005, um objetivo qualificado por UE e Estados Unidos como pouco ambicioso.

 

He insistiu em que os únicos que têm a obrigação de comprometer reduções vinculativas de suas emissões de CO2 são os países ricos e apontou que a proposta chinesa "cumpre com o estabelecido" pelo Mapa do Caminho da conferência de Bali de 2007. Explicou que, levando em conta o crescimento da China, este é o nível de redução que estão em condições de prometer no momento, mas acrescentou que ampliarão esses compromissos frente a 2050. "Não pararemos aí", afirmou.

 

Em sua opinião, o acordo que for alcançado em Copenhague deve ser "equilibrado" até certo ponto, mas também "dar prioridade" às nações em desenvolvimento. "O documento final deve abordar as necessidades e as aspirações de todos os países, especialmente as das nações em vias de desenvolvimento, que são as mais vulneráveis. E a China também é uma delas", acrescentou.

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