China diz que não aceitará acordo conectando ajuda financeira a fiscalização de emissões

O país é atualmente o maior emissor de gases causadores do efeito estufa proveniente de atividades humanas

Reuters

19 Novembro 2010 | 23h09

A China disse nesta sexta que não vai concordar com nenhum acordo que conecte a ajuda das nações ricas à permissão de  maior fiscalização dos esforços para limitar as emissões de gases de efeito estufa.

 

Os comentários de Huang Huikang, Ministro das Relações Exteriores da China e representante do país nas negociações climáticas, abriram uma fenda entre Pequim e as nações desenvolvidas - especialmente os EUA - que pode complicar bastante as negociações em Cancún, no México.    

 

A China, atualmente o maior emissor de gases causadores do efeito estufa proveniente de atividades humanas, será um país-chave nas negociações, que reunirão quase 200 países no final do mês para tentar entrar em acordo sobre um "fundo verde" para os países pobres e, mais uma vez, sobre a possibilidade de redução de emissões para combater o aquecimento global.Espera-se que  Cancun seja mais um passo na construção de um acordo legalmente vinculante ainda no ano que vem.     

       

Os EUA, a União Europeia e outros governos querem que a China, a Índia e outras economias emergentes que firmem compromissos mais robustos para controlar e até cortar suas emissões e submetê-las a um monitoramento mais sério.

        

Huang disse que Pequim esperava ver progressos em Cancún, mas não iria fazer concessões naquilo que acredita ser o direito  da China de fazer do crescimento econômico sua prioridade.

 

A chave para o sucesso nas negociações clmáticas, disse ele, seria que as economias mais avançadas liderarem o processo com grandes cortes de emissões e garantia de mais ajuda financeira e tecnologia limpa para ajudar as nações mais pobres.

 

"Isso é incondicional e não deveria estar conectado a nada mais", afirmou.

 

As emissões chinesas mais que dobraram desde 2000 e ultrapassaram as dos EUA. Em 2009 suas emissões relativas a queima de  combustíveis fósseis foi de 7,5 bilhões de toneladas, ou 24% do total global. Pequim promete um esforço para reduzir a "intensidade do carbono" - a quantidade de dióxido de carbono emitida por dólar - entre 40 e 45% até 2020, comparado com números de 2005. Mas diz que a meta não vei ser transformada em um objetivo imposto internacionalmente - de forma legal - que possa atrapalhar as chances de crescimento do país.

       

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